Crianças de terceira cultura

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Você sabe o que significa o termo “Criança de Terceira Cultura”, eu vi este termo recentemente e fiquei bastante intrigada então, comecei a pesquisar melhor. Uma criança de terceira culturadra-konig – ou TCK (do inglês Third Culture Child) é uma pessoa (criança ou não) ligada a mais de uma cultura, para além daquela do seu país natal. Geralmente, o termo é empregado para filhos de expatriados, mas também filhos de refugiados e imigrantes, ou seja, pessoas que vivem e trabalham no exterior por um longo período de tempo, de forma que seus filhos acabam vivenciando uma cultura por um várias culturas. Culturas estas que são bastante diferentes daquela dos seus pais, ou do seu país natal. Estas pessoas, após esta exposição, acabam formando uma cultura particular ao longo de suas vidas (a terceira cultura).

A Dra. Jutta König, filha de um diplomata alemão, passou por vários países na sua infância, como os Estados Unidos, França, Austrália, Alemanha, Holanda e Zimbabwe. Já adulta, ela trabalhou e viveu também em Cingapura e Bélgica. A sua vida acabou virando o livro “Licht en Schaduw” (Luz e escuridão), publicados por Halleh Ghorashi e Christien Brinkgreve, em 2010. Ela está fazendo seu doutorado sobre identidade multicultural, com o Professor H.Kunneman, da Universidade de Estudos Humanísticos e Professor H. Ghorashi, da Universidade de Amsterdã. Na sua firma “Moving Experience” ela trabalha como psicoterapeuta e consultora para pessoas multiculturais e empresas.

Em seu artigo de 2005, “O auto-fracasso – as consequências de uma terceira cultura que moldam as TCKs”, König escreveu que “durante o processo de ajuste cultural, as pessoas acabam adotando outros estilos de vida e desenvolvendo novos aspectos delas mesmas. Paralelamente, elas sentem saudades das memórias e do passado vivido em outros ambientes.

Nem sempre é fácil criar um auto-conceito mais positivo. A vida de uma TCK pode ter uma influência negativa na identidade de cada um e até mesmo levar a uma crise de identidade temporária. Isto não se aplica a Django, uma das pessoas mencionadas no artigo de König, que cresceu com o várias culturas, mas que sabe lidar bem com toda esta diversidade pessoal.”

“Django (48) nasceu no Cairo, Egito. Ele agora vive com sua esposa alemã e duas filhas (10 e 11 anos) em Diepenveen, Holanda. Sua mãe nasceu em Jerusalém, na parte Palestina da cidade e seu pai em Viena, na Áustria. Seus pais têm passaporte holandês e egípcio e residem em Voorburg, na Holanda. Seu irmão mora em Bonn, na Alemanha. Seus pais conheciam e amavam a Europa e acreditavam que sua família teria uma vida melhor no Velho Continente, por isso decidiram imigrar. Quando Django tinha sete anos a família se mudou para Den Haag, após um breve período na Suíça. Ele fez seus exames finais (uma espécie de Enem, chamado de Abitur em alemão) na escola alemã de Den Haag e com 19 anos ele se mudou para Rotterdam para cursar sociologia. Por quatro anos ele trabalhou como estudante-assistente na Universidade Erasmus e depois vários meses como pesquisador assistente no Ministério da Educação em Paramaribo, antes de continuar sua carreira na Holanda, em várias localidades. Ele fala holandês, alemão e inglês em nível profissional, fala francês e espanhol razoavelmente bem e ainda arrisca no português e surinamês. Se ele tivesse uma única opção, ele diria que a cultura holandesa é a que lhe é mais próxima. Mas se lhe dão mais de uma escolha, ele diz que as culturas que lhe são mais importantes são a holandesa, alemã, egípcia e inglesa. Ele tem um passaporte holandês e um egípcio.”

A seguir uma entrevista que foi feita com a Dra. König.

Quais são suas principais descobertas em relação às TCKs?

Uma descoberta importante é que todas as TCKs indicam reconhecer múltiplas identidades culturais pessoais.

No entanto eles apreciam de forma diferente estas várias identidades e isto é reflexo do discurso dominante na Holanda, em relação aos imigrantes. Como consequência, muitas TCKs escondem a sua diversidade cultural. No meu entendimento, se estas pessoas com duas culturas dessem mais espaço para a sua diversidade pessoal, a nossa sociedade acabaria tendo uma maior compreensão sobre o assunto.

Você teria uma experiência positiva e uma negativa sobre as TCKs para compartilhar conosco?

Um ponto positivo que eu vejo em ser uma TCK é que eu me sinto em casa, em qualquer lugar do mundo e eu simplesmente adoro viajar e conhecer outras culturas. É simplesmente maravilhoso explorar a nossa riqueza cultural e compartilhá-la com outras pessoas.

Mas na adolescência eu me sentia muitas vezes deslocada, sem me sentir em casa em nenhum lugar, pois eu nunca pertenci de verdade a lugar nenhum.

Você se sente mais holandesa, alemã, ou talvez asiática?

Eu me sinto alemã, holandesa, francesa, africana e asiática, pois eu guardo no coração cada uma destas várias culturas.

Acima de tudo, eu me sinto uma verdadeira cidadã do mundo.

Mais informações sobre as TCKs em português, inclusive com um vídeo bastante interessante sobre o assunto pode ser visto aqui.

Você também é uma TCK? Sente a influência de várias culturas na sua vida? Compartilhe conosco nos comentários do blog ou escreva um email para brasil@myheritage.com.

 

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