O nosso adeus a Elke Maravilha

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Existem pessoas famosas que parecem sempre estar lá. Às vezes nos esquecemos temporariamente delas, outras nos acompanham diária- ou semanalmente na telinha. O Lima Duarte, o Silvio Santos, a Regina Duarte estão pra mim nesta categoria, de artistas onipresentes, assim como a Elke Maravilha. Assim, foi com surpresa que li hoje da sua morte.

Com seu jeito todo irreverente de ser, ela sempre andou no limiar entre o fantástico e o absurdo. Era muito corajosa, representava um personagem que muitas vezes era motivo de chacota (ou de encantamento, para seus fãs), mas não se deixava abalar com as críticas e seguia em frente, com seu jeito único de ser.

Fico me pensando se este não foi o jeito que escolheu para lidar com as adversidades. Afinal, seus pais lutaram muito para chegar onde chegaram: seu pai Georg Grunupp, muito pobre, russo, sua mãe Lieselotte von Sonden, de família nobre alemã. Eles se conheceram durante a guerra na Alemanha, em Freiburgo, em 1939. Seu pai lutava na Finlândia, contra a tentativa da Rússia de anexar este país e, após grandes ferimentos sofridos, foi transferido para a Alemanha, para tratamento. Eles se apaixonam à primeira vista, se casam e vão morar na Rússia. Seu pai no entanto, é enviado para um campo de concentração na Sibéria e declarado apátrida.

Neste ínterim nasce Elke Georgievna Grunupp em Leningrado, em fevereiro de 1945, no final da Segunda Guerra. A atriz se considera uma filha da guerra e vê o assunto com otimismo, já que sem a guerra seus pais nem teriam se conhecido. Elke, no entanto, só iria conhecer seu pai seis anos depois, quando ele consegue fugir e se juntar à Lieselotte e filha na França.

Lá um novo contratempo. George é preso de novo e corre o risco de uma nova deportação, para a União Soviética, o que seria o seu fim. Ele então resolve fugir de novo e vai com a família para o Brasil.

Elke entra no Brasil através da Hospedaria das Flores.  Mais tarde, o casal juntamente com seus três filhos Elke, Waldemar e Frederico, vão para o interior de Minas Gerais, num sítio em Itabira. Eles lá viviam uma vida simples, trabalhando no campo e convivendo com poucas pessoas. Já na adolescência de Elke, a família se muda para outro sítio em Jaguaraçú.

Elke falava várias línguas, entre elas o russo, o alemão e o português, e resolve se mudar para o Rio de Janeiro para trabalhar. Lá ela faz a faculdade de Letras e se forma como tradutora, professora e intérprete. Ela trabalha por muitos anos como professora, antes de começar a sua carreira de modelo. Loira, alta e muito extrovertida ela é um sucesso e logo começa também a carreira como atriz, apresentadora e, pelo menos para mim a lembrança mais marcante, jurada no programa do Chacrinha e depois do Silvio Santos.

Tal como seus pais, Elke também teve a sua cidadania (brasileira) roubada de si. Em 1971, ela foi presa no aeroporto Santos Dummont, no Rio de Janeiro, após rasgar a foto de um “procurado” da polícia brasileira – Stuart Angel Jones, filho de sua amiga Zuzu Angel. Ela considerou ultrajante ver a foto dele, sabendo que ele estava morto. Após o incidente, ela perdeu a cidadania brasileira e foi durante um tempo apátrida. Mais tarde, ela tirou a cidadania alemã e ficou sendo brasileira somente de coração.

Com a sua morte, vai-se mais uma estrela da televisão brasileira. Descanse em paz, Elke Maravilha.

Fontes: Hospedaria da Ilha das Flores, Wikipédia, SuperSearch

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  • Nubia campello


    agosto 16, 2016

    Nossa pessoa que so trazia alegria e irreverencia descanse em paz…

  • Nubia campello


    agosto 16, 2016

    Linda e inesquecivel….

  • HIvolella


    agosto 17, 2016

    Essa sim era Celebridade…pela pessoa marcante que era e pela paz que espalhava ao seu redor. O mundo anda precisando de muitas Elkes…