música

A música em seus genes

Comentários

As famílias fazem música juntos desde muito antes do von Trapps e do Jackson 5. Não é incomum um músico talentoso ter um ou mais membros da família que também são talentosos com música – e isso não é coincidência. Os genes têm um papel importante a desempenhar na determinação da capacidade musical.

 

Em um estudo (Mosing M et al, “Practice Does Not Make Perfect: No Causal Effect of Music Practice on Music Ability,” Psychological Science 2014, 25:1785), Miriam Mosing e seus colegas do Instituto Karolinska, na Suécia, compararam as habilidades musicais de 1.358 pares de gêmeos idênticos adultos e 1.358 pares de gêmeos fraternos. Eles testaram a capacidade dos participantes de detectar diferenças de afinação, distinguir melodias e reconhecer ritmos. Eles descobriram que, mesmo quando um gêmeo praticava significativamente mais do que o outro – em um caso, 20.228 horas a mais -, seu nível de habilidade musical era mais ou menos o mesmo.

Um estudo anterior realizado por pesquisadores da Universidade de Helsinque (Pulli K et al, “Genome-wide linkage scan for loci of musical aptitude in Finnish families: evidence for a major locus at 4q22,” Journal of Medical Genetics 2008, 45:451-456) reforça esses achados. Eles testaram 224 membros de 15 famílias diferentes de músicos e descobriram que a capacidade musical é 50% herdada.

Vários estudos descobriram que a evolução humana favorece as pessoas com ouvido para a música. As habilidades que tornam alguém bom em música estão associadas a outras habilidades cruciais da vida. Ser mais sensível ao tom, por exemplo, aumenta sua capacidade de distinguir nuances na linguagem e na fala e imitar sotaques estrangeiros. Estudos demonstraram uma correlação significativa entre talento musical e a capacidade de aprender uma língua estrangeira. A pesquisa acima mencionada de Järvelä mostrou que as seqüências de DNA relacionadas à habilidade musical também estavam ligadas à dislexia, indicando que a habilidade musical está intimamente associada ao desenvolvimento da linguagem.

Uma combinação de natureza e criação

Um dos componentes mais fáceis da capacidade musical de medir é o tom absoluto, também chamado de “tom perfeito”: a capacidade de identificar instantaneamente o tom de uma nota que está sendo tocada. A maioria dos músicos precisa ouvir a nota tocada por um diapasão ou outro instrumento afinado para afinar um instrumento, usando a nota como referência. Pessoas com afinação absoluta não precisam de um diapasão – sabem instintivamente se o que estão ouvindo é um Lá, Sol sostenido ou Si bemol.

Estudos têm mostrado fortes ligações entre a genética e essa capacidade, mas isso não significa que seja inato. Nossas convenções sobre tons e seus nomes são amplamente arbitrárias. Mesmo uma pessoa com afinação perfeita não pode nomear uma nota antes de aprender a escala musical.

A parte que você herda de seus pais, porém, é o potencial de aprender. A exposição ao treinamento musical em tenra idade, ou falando um idioma tonal como o mandarim, aumenta a probabilidade de você perceber esse potencial.

Também funciona na direção oposta. A pesquisa encontrou um forte componente genético para a falta de percepção musical, ou o que os cientistas chamam de “amusia congênita”. Isso afeta apenas cerca de 4% da população, mas se você não tem ouvido musical, 39% de seus parentes em primeiro grau provavelmente tem amusia.

Porém, mais uma vez, não é tudo culpa da natureza. Um estudo com gêmeos descobriu que, embora o fato de um gêmeo não ter ouvido pra música tornasse muito provável que o outro gêmeo também não tivesse, houve casos em que um tinha ouvido pra música e o outro não.

Alguém da sua família não tem ouvido pra música? Conte pra gente nos comentários!

Deixar um comentário

O e-mail será mantido em sigilo e não será mostrado