A tragédia de um país que não liga para a sua memória

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Engraçado falar de descaso com a história no blog de um site que tem como missão descobrir, preservar e compartilhar a memória da família. Mas fato é que visto ao sucateamento que anda ocorrendo nos centros guardiões da memória nacional, temos sim que continuar falando de preservação e resgate da nossa cultura e também de nosso papel de multiplicadores.

Foi com muito pesar que vi as manchetes falando do incêndio que acabou com o Museu Nacional. Porém o que choca ainda mais é a briga política que se instaurou pouco depois. Em vez de procurar soluções, ficou-se apenas tentando apontar os culpados. O que sabemos que, no nosso país, não levará a nada: via de regra, em terras tupiniquins, culpados não pagam pelos seus crimes.

O status quo da falta de memória

Mas para tentar entender melhor a briga, vamos olhar argumentos dos dois lados do espectro. Assim, vemos que durante o governo petista, o Museu teve tanto os investimentos mais altos quanto os mais baixos da sua história, dependendo do momento econômico que o país vivia.

Ou seja, os dois lados parecem ter a sua parcela de razão. E ambos têm também sua parcela de culpa: os petistas que não investiam e a oposição que não cobrava o investimento. Bem como nós, a população, que nos esquecemos do nosso papel de vigilantes.

Estado dos museus brasileiros. Fonte reprodução Facebook

O que ainda não estamos vendo com esta tragédia horrível é um candidato ou partido político que prometa (e cumpra!!) aquilo que nós brasileiros realmente queremos: queremos mais educação, mais saúde, mais tecnologia, mais história, mais segurança e menos ministérios, menos cargos políticos, menos conchavos e roubalheiras com o dinheiro público. Queremos parar de nos envergonhar aos olhos do mundo.

E é aqui que esquerda e direita poderiam e deveriam se unir. Em tentar fazer de verdade um país do povo, para o povo e pelo povo. Questões de de opção sexual, religiosa e política, de aborto, de porte de armas são e devem continuar sendo de livre arbítrio. Ninguém quer ter imposta goela abaixo uma doutrina em que não acredita.

E no que acreditamos?

Todos nós acreditamos que o Brasil deve parar de ser enganado pelos seus governantes. E a melhor maneira de cobrar ações é cuidarmos da nossa memória: devemos nos lembrar das promessas de campanhas e exigir o seu cumprimento. Devemos nos lembrar dos políticos corruptos e não reelegê-los.

E cuidar da nossa memória significa viver no dia-a-dia o lema do MyHeritage: devemos descobrir, preservar e compartilhar a nossa história. Seja a história da nossa família, seja a história do nosso país. E todos nós que já nos interessamos pelo tema, devemos adotar no dia-a-dia o papel de multiplicadores.

Em nossas pequenas comunidades, em nossas famílias e grupos de amigos devemos exercer ainda melhor o nosso papel de cidadãos. Pois quem se lembra do seu passado, sabe como podemos evitar que os mesmos erros sejam cometidos novamente.

 

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  • Mario Joaquim Nogueira de Azevedo


    outubro 17, 2018

    Excelentes artigos, devemos sim, preservar a história de nossas famílias, pois, o conjunto delas irá preservar e demonstrar a história indestrutível do nosso país e da nossa civilização. As gerações futuras agradecerão o nosso esforço e as informações que receberão.

    Parabéns a todos os que fazem este sério e importantíssimo trabalho.

  • Luiza


    outubro 17, 2018

    Prezada Karen,
    gostaria primeiramente de parabenizá-la por seu artigo, pela importância de se fazer relevante a discussão desse descaso com o Museu Nacional aqui nessa plataforma, que se dedica à pesquisa e preservação da memória.
    No entanto, não poderia deixar de observar um lugar comum de fala que devemos cuidar, para que não incorramos ao erro de usar expressões de maneira equivocada.
    A afirmação: “via de regra, em terras tupiniquins, culpados não pagam pelos seus crimes”, refere-se ao território nacional do Brasil como um todo. O uso do nome de um povo indígena como sinônimo para um território político pode ser uma expressão corriqueira, porém um equívoco. Da mesma forma, a cultura televisiva promoveu o uso da palavra “tabajara” para designar um produto falsificado ou de segunda linha.
    Não, não tenho ascendência indígena, mas não me agradaria ver a etnia do meu povo usado como um sinônimo equivocado.
    Sei que, posto ao lado da tragédia que motivou seu texto, esse meu apontamento possa parecer fora de contexto. Mas estamos falando de preservação de memória num território onde são recorrentes os apagamentos de memória, não é mesmo? Então talvez nós mesmos, nascidos aqui ou não, devêssemos prestar atenção à esses pequenos e importantes detalhes.
    Atenciosamente,
    Luiza

    • Karen


      novembro 13, 2018

      Oi Luiza, muito válida a sua colocação! Obrigada pelo alerta!

  • Carlos Oswaldo Bevilacqua


    outubro 17, 2018

    Como evitar que o povo brasileiro continue sofrendo menosprezos como esses? Com desvios criminosos de recursos públicos que deveriam ser empregados na preservação de nosso patrimônio histórico, na manutenção dos setores de saúde, de educação e de segurança? Crises causadas por partidos coligados, políticos e presidentes conhecidos filiados à corrupção sistêmica nacional e internacional? Penso que não devemos votar nos que promoveram graves crimes contra a economia popular e de evasão de divisas, revelados pela “Lava Jato”, PF e MPF, entre outros: os conhecidos crimes do “Mensalão”, do “Petrolão” e da chamada CAIXA PRETA DO BNDES. Resta indiciar alguns dos maiores aproveitadores dos superfaturamentos para pagamento de propinas bilionárias, via BNDES, J.B.S., Banco do Brasil, Caixa Econômica, Petrobrás, Correios, Porto de Santos etc. As Refinarias, Hidrelétricas, Estradas de Rodagem, de Ferro, expansão de Frigoríficos, Pontes, Aquedutos, Metrôs, Aeroportos, Porto de Mar deveriam beneficiar o Brasil (sem propinas criminosas) e não a outros países envolvidos na falcatrua. Ao que tudo indica, não haveriam as crises que nos assolam atualmente.

  • Eduardo de Carvalho Elias


    outubro 20, 2018

    Apenas vi verdades. São esses e outros incidentes que desgastam o orgulho de ser brasileiro

  • Carlos Gomes


    outubro 24, 2018

    O interesse na educação no governo petista é baixa, tendo em vista que a maioria de seus eleitores tem baixa escolaridade, quanto melhor a educação, menso eleitores.
    É surpreendente ver que a cada nova tragédia que destrói museus e similares, fala-se muito e nada se faz (além da redução de recursos)