Registros históricos: cuidado com os erros!

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Este artigo foi escrito por Schelly Talalay Dardashti, Consultora de genealogia do MyHeritage para os EUA.

Seres humanos cometem erros. Lembram do ditado antigo: “Errar é humano, persistir no erro é burrice”? Pois no caso da genealogia, o ditado deveria ser: “Errar é humano, corrigir os erros é genealogia”.

Cada pesquisador da história da família e genealogista sabe que as árvores genealógicas podem conter erros.

Algumas vezes, estes erros são simples enganos. Por exemplo, erros podem acontecer quando registros são feitos baseados apenas em histórias ouvidas de alguém. Ou talvez dados tenham sido transcritos ou copiados de outros registros. Talvez ainda informações tenham sido gravadas após eventos trágicos, como funerais – que podem induzir pessoas a errar. Até mesmo caligrafias ruins podem nos enganar.

Erros também podem acontecer quando informações são dadas por parentes, que não têm muita certeza das informações (como erros em lápides), ou quando a correção dos erros é muito dispendiosa (para ficarmos no exemplo das lápides). Também acontece que histórias acabem sendo “embelezadas” com o passar dos anos, numa tentativa de fazer uma história soar melhor.

Aqui estão alguns exemplos do que poderia ter acontecido, quando minha família TALALAY se tornou TOLLIN depois da imigração, com exemplos dos censos americanos de 1910, 1920 e 1930, bem como um registro de imigração de 1904.

Passando a fronteira Canadá/Estados Unidos em 1904

Aaron Talalay, aqui registrado aqui como Tallarly, chegou em Montreal, no SS Canadá, oriundo do Reino Unido. Ele depois pegou um trem – Dominion – até Nova Iorque, em novembro de 1904.

 

Quando meu bisavô Aaron Peretz Talalay entrou nos Estados Unidos, depois de deixar o Reino Unido (onde ele permaneceu por alguns meses), a partir do Canadá, em novembro de 1904, ele foi registrado como Aaron Tallarlay. Sua esposa, Riva, e filhos Leib (Louis), 2, e Chayeh Feige (Bertha), de apenas 9 meses, chegaram em Nova Iorque em dezembro de 1905. Ele nasceu em 1873 e sua idade está correta: 31. Riva nasceu em 1875. Como vocês podem ver, suas idades parecem estar erradas em todos os registros de censo abaixo.

Censo americano de 1910

TOLLIN foi escrito TOILON ou LOILON no censo de 1910! Não faço idéia de quem sejam os primo Beller …por enquanto!

No censo de 1910, a família foi listada (e indexada) como LOILON, embora seja discutível se a primeira letra é um T ou um L. O registro foi encontrado apenas quando procurei registro por registro, para tentar achar um possível casal. Acredito que meus bisavós devam ter dito que se chamavam TOLLIN, o escrevente ouviu TOYLIN e achou que este nome era escrito TOILON. Minha bisavó Riva (ou Rebecca) aparece como sendo Eva. Além disso, consta que meu bisavô Aaron chegou em 1905 (foi em 1904) e que o restante da família chegou em 1906 (foi em 1905). Suas idades no documento são 35 e 37, mas as idades corretas eram 37 (Aaron) e 35 (Riva).

Em 1915, quando a família se naturalizou, os registros aparecem com o nome TOLINI. Levou anos até eu encontrar estes documentos! Eu implorei para uma atendente mais simpática ir até o armazém, para pegar os registros. Em troca, eu ofereci levar todas as suas roupas para a tinturaria depois de ela enfrentar as teias de aranha, insetos e poeira do local.

Censo do Estado de Nova Jersey de 1915

No censo do Estado de Nova Jersey de 1915, o sobrenome foi indexado como TOLINI, mas grafado como TOLIN. A minha bisavó Riva (Rebecca) ganhou mais um nome e agora ela foi encontrada como Rose.

Censo americano de 1920

No censo de 1920, a família foi registrada (e indexada) com o sobrenome TOLINO – o que fez com que eles parecessem ser italianos – e a minha bisavó voltou a ser Rebecca. Agora foram listados mais três filhos para além de Louis e Bertha. De acordo com este censo, Bertha tinha 14 anos (na verdade16). Os pais foram registrados como se tivessem 45 e 40 anos de idade, mas eles tinham 47 e 45.

Agora o nome da família era TOLINO

Lista telefônica de Newark em 1923

Finalmente, em 1923, a grafia do sobrenome se estabilizou!

Lista telefônica de Newark, em 1923

Censo americano de 1930

No censo de 1930 o sobrenome da família virou TOLLIN de vez e todos os outros familiares em Newark, no estado de New Jersey e Springfield, no estado de Massachusetts também. A Bertha aparece neste censo já casa e morando em Nova Iorque, enquanto Louis terminou o curso de medicina e se mudou para Baltimore, no estado de Maryland. Os pais continuam aparecendo com a idade errada: 55 e 53, quando, na verdade, eles tinham 57 e 55.

A família continua usando esta forma final da grafia do seu sobrenome

Censo americano de 1940

Em 1940, a composição da família mudou um pouco, já que a maioria dos filhos tinha se casado e não morava mais com os pais. O filho mais novo, Harry, e sua esposa moravam com os pais.Para tornar as coisas um pouco mais interessantes, o irmão de Aaron – David – juntamente com a família tinham chegado ao país e decidiram grafar o sobrenome como TALLIN. Eles moravam a poucas quadras de distância e ninguém sabe o porquê de David ter decidido usar esta grafia no seu sobrenome.

Comparação entre o censo americano de 1910 acima e o de 1930, abaixo.

Uma ótima ferramenta para todos que tenham uma árvore no MyHeritage é o Verificador de Coerência. Ele faz uma varredura de toda a árvore genealógica para identificar possíveis erros, conflitos e inconsistências na sua pesquisa. Alguns erros são relativamente óbvios, quando, por exemplo, os filhos aparecem ser mais velhos que seus pais, ou quando irmãos nascem com apenas 5 ou 5 meses de diferença de um para o outro, ou ainda quando uma mulher foi mãe aos 8 ou 80 anos de idade. Todos nós cometemos erros, mas o bom é que o verificador de coerência encontra estes erros pra gente.

Além disso, ele também aponta para possíveis discrepâncias. Assim, você tem a chance de conferir o que escreveu, corrigir informações incorretas e melhorar a qualidade e exatidão da sua árvore. Leia mais sobre esta ferramenta tão importante aqui: Verificador de Coerência da árvore genealógica.

Aqui estão algumas dicas para você evitar erros em sua pesquisa:

Como evitar erros e sua repetição

  • Tente sempre visualizar as imagens escaneadas ou cópias dos registros vitais, como certidões de nascimento, casamento ou falecimento. Uma transcrição da imagem pode conter erros de ortografia, troca de algarismos nas datas e outros tipos de erros. Se você usar sites online com suas coleções de imagens escaneadas, confira bem a imagem e não apenas a transcrição (feita por um ser humano, ou seja, passível de erros). Para a maioria de nós, as imagens escaneadas são o mais perto que iremos chegar do original…
  • Registros ligados a um censo são sempre úteis, mas lembre-se que o escrevente talvez não entendesse o sotaque carregado das famílias. Com isso, muitos erros acabaram surgindo nos sobrenomes, idades e até mesmo origem dos imigrantes.
  • Tente seguir a família em censos subsequentes para determinar os fatos com exatidão. No caso dos Estados Unidos, também tem a dica de consulta dos censos estaduais (para alguns estados), além de registros ligados à segurança social, alistamento militar, eleições e naturalizações.
  • Se você tiver como escolher entre imagens microfilmadas/escaneadas/digitalizadas de qualquer tipo de registro ou uma transcrição feita por alguma pessoa, opte por checar a imagem. Lembram do ditado quem conta um conto acrescenta um ponto? Então, a cada vez que um registro passa pelas mãos de alguém um erro pode acabar se infiltrando por lá. Além disso, as transcrições dependem também de decisões tomadas – algumas vezes as decisões são feitas por pessoas que não têm conhecimento de certos nomes étnicos, ou de regras ligadas a determinadas regiões. Transcrições também dependem de um bom conhecimento de regrinhas como abreviações (Mª para Maria, por exemplo) e do conhecimento da caligrafia. Claro que quem transcreve sempre tenta ser o mais exato possível, mas às vezes as informações não o são, então tente sempre checar o original.
  • Jornais históricos podem ser importantes, mas lembre-se que os repórteres podem ter entrevistado alguém que tenha sido vago com os detalhes, ou o repórter não tinha conhecimento suficiente sobre a história para fazer uma investigação mais completa. Um obituário, por exemplo, pode se fazer valer de erros anteriores e contribuem para perpetuar estes erros.
  • As árvores genealógicas publicadas ou online nem sempre são de inteira confiança. Será que o pesquisador foi realmente metódico, seguiu todas as regras da pesquisa genealógica, checando documentos originais (ou imagens destes), conferindo transcrições a fundo? Ou será que ele simplesmente registrou a história conhecida da família como se fossem fatos, sem verificar eventos, datas, nomes etc? O pesquisador cita suas fontes e elas são de confiança?

Da mesma forma, uma genealogia já publicada também pode conter erros copiados de compilações anteriores. Confira as árvores genealógicas online e as pesquisas para verificar as fontes documentadas que foram usadas pelo autor. Histórias publicadas também têm erros de impressão.

Você é muito sortudo se seu antepassado deixou cartas, jornais, ou até mesmos diários para as gerações subsequentes. Embora estas fontes sejam consideradas fontes primárias, alguns dos “fatos” lá registrados também podem ter sido baseados em “achismos” ou “ouvi dizer”.

Lembre-se que certos eventos talvez não foram registrados corretamente, especialmente quando eventos ruins possam ter um impacto na reputação da pessoa. Por outro lado, histórias ruins sobre algumas pessoas podem ter detalhes exagerados para que elas fiquem ainda mais interessantes.

Revistas sobre genealogia geralmente são verificados com bastante cuidado. Porém, a história pode às vezes contar com transcrições ou indexações feitas por pessoas, com possíveis erros.

Muitos sites oferecem imagens escaneadas e estas são tão boas quanto o documento original. Uma advertência: algumas vezes estes documentos tinham anotações ou comentários no verso e estas foram negligenciadas no processo de escaneamento. Sempre tente usar documentos adicionais para confirmar dados sobre indivíduos e seus familiares.

No caso de você não conseguir confirmar informações quando fontes têm dados conflitantes, registre todas as fontes na sua pesquisa, gravando os dados de cada uma delas. Pelo menos assim outros pesquisadores e talvez os seus descendentes no futuro, irão ver que você sabia da existência destes conflitos. Pode ser que no futuro outros registros fiquem disponíveis e você possa resolver o conflito.

Você já encontrou erros na árvore genealógica de parentes? Como você lidou com as informações conflitantes? Você entrou em contato com o administrador da árvore? Compartilhou documentos indicando os dados corretos? Adoraria ouvir mais sobre a sua experiência em lidar com erros.

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  • MARCO AURELIO BELLO


    fevereiro 24, 2019

    BOA TARDE:
    PROCURO PELO LOCAL DE NASCIMENTO DE GAETANO MARZOCCHI, NA ITÁLIA
    SEU PAI- CESARIO MARZOCCHI
    SUA MÃE-EMILIA CITA
    NASCIDO NO DIA 05 / 07 / 1860.
    CASOU-SE COM MARIA DELALIA, TAMBÉM ITALIANA.
    SEU PAI- MAURO DELALIO
    SUA MÃE- GIACOMINA DELALIA
    NASCEU NO DIA 15 / 08 / 1864.
    TAMBÉM NÃO SEI ONDE SE CASARAM.