Histórias de nossos usuários: Luisa Mortene

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Hoje temos o prazer de trazer para vocês mais uma história da nossa comunidade de amigos do MyHeritage. Desta vez, Luisa Helena Mortene, arquiteta de profissão e genealogista de coração vem nos falar um pouquinho sobre a história da sua família. Muito obrigada por participar Luisa!

Aqui um pouquinho sobre a Luisa, nas suas próprias palavras: “Fui uma criança comportada demais, e de certa forma isto me tornou um pessoa séria, tímida e ética, resultando em uma pessoa batalhadora e focada nos estudos e no trabalho. Não suporto o desrespeito, a corrupção e os maus tratos principalmente as crianças, idosos, animais e meio ambiente. Sou arquiteta e urbanista, adoro o que faço, O meu hobby preferido é cozinhar, faço da cozinha meu laboratório, não gosto de seguir receitas, crio as minhas, e hoje este hobby está virando minha segunda profissão. Estou longe da perfeição, sou muito crítica, perfeccionista e ranzinza, sei que com a idade isto tende a piorar, me seguro para não magoar as pessoas. Bom momento para pedir perdão as que ofendi.”

As coisas nem sempre acontecem como e quando devem acontecer, comigo não foi diferente. Quando criança vi no primário o tema GENEALOGIA em ciências ou geografia, sei lá, mas não dei importância, com o passar dos anos, na preocupação de estudar, ter uma carreira e minha família dei menos importância ainda. O fato é que só depois de quarenta anos, no reencontro com algumas pessoas do passado, durante uma festa de aniversário de 93, tia-avó Isaura de Freitas, e 95 anos, tia-avó Laura de Freitas, irmãs do meu avô materno, Joaquim Antonio de Freitas, é que nasceu espontaneamente o desejo de fazer unir pessoas tão queridas e que eu tinha deixado de lado.

Junto com este desejo foi crescendo uma gratidão muito grande por aqueles que lutaram e foram desbravadores de um mundo desconhecido para que eu, hoje, pudesse estar em um mundo melhor. E para agradecer a cada um deles não vi melhor forma do que pontuar e nomear cada um deles, dentro do tempo cronológico através da ÁRVORE GENEALÓGICA. Ainda tenho muito que aprender com todos eles, mesmo eles não fazendo parte do mundo físico, cada descoberta é um nova lição de vida que tenho.

Tenho bisavós que deixaram seus países, suas famílias, sua cultura e uma vida certa por um país desconhecido, com cultura completamente diferente na esperança de uma vida melhor. Chegando no Brasil tiveram que enfrentar uma vida árdua, cheia de sacrifícios e desafios. Todos eles trabalharam na lavoura de sol a sol. Muitos não conseguiram frequentar escola, não tinham tratamento médico, tanto é que minha bisavó paterna era parteira, e muitas crianças de Vargem Grande do Sul nasceram pelas mãos dela, e quase sempre ela chamava meu pai, ainda criança, para fazer companhia durante a caminhada de uma fazenda a outra. Ela o chamava de Neno. Tive um tio que perdeu uma perna por causa de uma injeção mau aplicada e outro que participou da Guerra e Revoluções, e que acabou tendo prejuízos emocionais por causa disto.

O que mais gosto de contar da minha família é que por parte paterna todos são mais artísticos, principalmente a música. Eu particularmente sou arquiteta, mas meu pai, tios e sobrinho adoram viola, violão, acordeon, guitarra, bandeiro, etc…… Eta povo barulhento! Já por parte materna existe uma seriedade intensa, quase todos voltados a administração, economia e empreendedorismo. Mas de ambos os lados quase ninguém mede esforço para ajudar entre si e ao próximo.

Minhas lembranças de criança são vagas, moramos em vários sitio, nas Laranjeiras, no sítio do meu tio Cido Correa de Souza, e um outro no caminho de Campestrinho para Divinolândia, este ultimo fica perto de um lugar que os ciganos costumavam ficar quando passavam pela cidade.

Entre as lembranças uma que não esqueço e provavelmente a mais antiga e engraçada é a sensação de alegria e poder que eu tive de nas pontas dos pés erguer a cabeça e olhar por cima da mesa….., não me lembro o que tinha lá mas a emoção eu não esqueço. Outra coisa que também gosto de lembrar é de quando aprendi a contar números: meu pai, só ele e eu, fomos para a lavoura, a terra arada, ele ia na frente abrindo os buraquinhos e eu ia atrás colocando grãos de milho……..kkkkk………acho que tinha 4 anos, ele falava para colocar 3 ou 5 grãozinhos de milho em cada cova e fechar com o pézinho. Trabalho infantil? QUE NADA, MEUS PRIMEIROS MESTRES FORAM MEUS PAIS. Com eles aprendi a ser gente, QUANTO ORGULHO.

Como é bom colocar estas histórias no papel, talvez ninguém leia, mas é gratificante. Gostaria que todas estas pessoas que fizeram parte da minha vida, soubessem que sem eles esta pessoa que vos fala nada seria, o sangue deles corre na minha veia e eu tenho ORGULHO e muita GRATIDÃO por terem construído minha história, sem eles eu nada seria. Li certa vez de que um homem sem história é um homem sem memória. Concordo em cada palavra, e é por isto que corro atrás da minha HISTÓRIA. Faço isto, não porque minha vida profissional depende destas informações, mas sim porque a vida segue em frente e o passado é um livro que nos ensina a discernir o bem e o mal, o bom e o ruim ou o certo e o errado.

Em dezembro de 2015, visitei o cemitério de São João da Boa Vista para confirmar nomes e datas de nascimento e óbito dos meus bisavós, foi um emoção grande rezar e estar mais próximos deles, e mais ainda, pedi para o cartório da cidade a certidão de óbito da minha bisavó e descobri o nome do meus trisavô e o nome da mãe dele, minha tataravó. Agora tenho por parte de mãe e pai até esta altura. Mas quero mais e sempre.

Estou montando nossa árvore  há uns 3 anos e durante este tempo o mais surpreendente foi quando encontrei um SMART MATCH na minha página, lá havia o nome de um garoto, Ulisses Bruno Multini, cuja árvore dele constava os nomes dos meus bisavós paternos, fiquei muito surpresa e curiosa. Comecei a investigar e não é que somos da mesma família? Até então ninguém havia me dito que meu avô Angelo Mortene tinha um irmão que se chamava ANTONIO MULTINI, pois é, sobrenomes diferentes? Não! Erros de grafia e mais um pouco…

Bem continuando a história, e a coincidência vai mais longe, eu tenho um tio, e primo ao mesmo tempo, casamento entre primos, com o nome de ANTONIO MULTINI SOBRINHO, e que ninguém sabia o motivo da palavra SOBRINHO no nome dele, agora sabemos. Pois é, o SMART MATCH era exatamente de um descendente deste tio-avô que foi ainda jovem para outro estado e que lá formou sua família, surpreendente né? E mais, uma das fotos na página do Ulisses Bruno Multini tem 2 primos do meu pai, um casal de irmãos, filhos da tia Lucia Multini Dearo, irmã do meu avô Angelo Mortene, um deles está vivo, mostrei a foto para a filha dela e a mesma reconheceu a mãe, e a mãe por sua vez fez uma festa, grande alegria, ver a foto e relembrar esta a cena depois de mais de 50 anos.

Estou cada dia mais envolvida com tudo isto, pena não ter mais tempo para dedicar a este trabalho, é difícil encontrar dados, encontrar as pessoas que lembram destes fatos, ou que estejam disposta a lembrar do passado, a ansiedade começa a incomodar, a curiosidade instiga, é cansativo às vezes, toma tempo, porém desanimar, desistir, não dá mais. Além de tudo é bom visitar e encontrar pessoas que eu não via há tanto tempo, conversar sobre o assunto, chorar, rezar e rir junto. Tudo isto tornou minha vida mais humana.

Acho que todas as pessoas deveriam montar a àrvore genealógica, vão ficar surpresas com as descobertas. Cada pessoa que encontramos é como uma nova estrela ou planeta encontrado no universo pelos astrônomos, ou uma nova célula encontrada pelos cientistas no corpo humano.

Quem sabe a ETERNIDADE não é esta extensão de hereditariedade?

Quero chegar onde puder da minha, não descansarei. E olha que não tenho filhos para deixar esta história, quem foi abençoado com eles deveria ter o dever de deixar por escrito, pelo menos o pouco que sabe.

Bem é isto, obrigado por conhecer um pouquinho do meu mundo.”

Muito obrigada Luisa por sua participação e por inspirar nossos usuários a irem atrás também de suas raízes! Você também quer participar do nosso blog e publicar aqui a sua história? Então escreva para brasil@myheritage.com e conte a sua!

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  • Rachel Gueller Souza


    março 31, 2016

    Tambem temos um erro de registro na familia, meu avô registrou alguns Gueller (nome real) e outros Guedes, o que dificulta encontrar nossas raízes.

  • arnaldo


    março 31, 2016

    Lindo relato Luísa, parabéns e continue as buscas… vale muito a pena… me debrucei no site dos Açores e encontrei uma infinidade de ancestrais que eu nem imaginava… força aí abs

  • luisa helena mortene


    março 31, 2016

    Muito obrigada Karen, por deixar minha história com mais vida.

  • Silmara


    abril 1, 2016

    Nossa Luiza, amei seu relato.
    Como é bom recordar escrever uma história linda . Familia e tudo , principalmente falar dos avós e bisavós .Que lembrança maravilhosa , uma história linda .

  • Ana Luiza


    abril 2, 2016

    Obrigado Luiza por transmitir a nossa história adorei!!!!!!! Bjsssss Ana Luiza Multini

  • Délio Pinto Lopes


    abril 23, 2016

    Ficava muito grato se conseguisse descobrir familiares meus bisavós maternos com o nome António José Ferreira (Rua Nova), natural de Vila Cova da Lixa, concelho de Felgueiras e Leonor e Jesus Pinheiro natural de Ovelhinha do Marão, concelho de Amarante, mas antes de emigrarem residiam no lugar de Rua Nova, freguesia de Borba de Godim, concelho de Felgueiras Concerteza já falecidos que emigraram para o Brasil (Rio de Janeiro), mas não se soube noticias deles ou de parentes, talvez por falta de interesse ou conveniência. Se souberem algo agradeço.

  • luisa abe


    abril 26, 2016

    Eu gostaria de saber quem são os meus antepassados e suas origens.
    Luis leite lovegrov e Raul Duarte Silva

  • Neiva


    abril 26, 2016

    Que delícia de leitura. Muito bom ler seu relato.
    Gostaria muito de saber a história dos meus antepassados. Vou tentar!

  • luisa helena mortene


    agosto 4, 2016

    Pessoal terminei de encontrar mais gente, desta vez ainda mais distantes, Alexandre Scalco, bisnoto de José/Giuseppe Scalco, irmão da minha bisavó Amália Scalco. É muito bom, com tanta descoberta eu chego lá.

  • Juliana


    abril 2, 2018

    Oi Luisa!! Estamos tentando fazer a nossa arvore genealógica… Acabei de descobrir que meu bisavô Jose /Giuseppe Scalco era irmão da sua bisavó Amália Scalco… E me fala uma coisa eles teriam mais uma irmã?? Isidora Scalco casada com Pedro Bordon??

    Att. Juliana