Os Arturos

Mea Culpa.

A data já passou, mas não podemos deixar de registrar aqui em nosso blog o dia 13 de Maio que no Brasil se comemora a abolição da escravatura, que em 1888 libertou definitivamente setecentos mil escravos  e outros aproximados 700.000 escravos que  já tinham sido libertos ou por lutas nos Quilombos, ou por cartas de alforria ou ainda beneficiados pelas Leis anteriores do Ventre Livre e dos Sexagenários.

Na época a população do Brasil era de aproximadamente 6 milhões e pessoas, dai se pode imaginar o efeito desta transformação na sociedade, e diga-se que na época, surgiu por parte dos antigos senhores o medo de retaliação e outros falsos alardes o que levou muitos destes senhores a queimarem documentos de compra, de posse que registravam a procedência dos antigos cativos. Muitos destes escravos ou eram Afrodescendentes ou eram escravos trazidos para o Brasil e muitos deles não tinham nada além do seu primeiro nome.

Conta-se que muitos deles tiveram seus sobrenomes/apelidos dados pelos antigos senhores, ou eram batizados em alguma igreja que lhes agregava o sobrenome/apelido mais comuns como por exemplo,  "dos Anjos", "dos Santos", "de Deus", "da Anunciação" e assim, tinha-se um rosário de nomes para serem colocados nos  beneficiados pela liberdade.

É uma página triste na história do Brasil e do mundo inteiro, mas nada que se faça hoje no presente vai apagar esta marca de nossa consciência patriótica.

Desde 1888, o Negro no Brasil, sofreu com diversos tipos de descriminação e preconceitos, mas, os descendentes destes homens e mulheres se multiplicaram e ainda estão lutando tanto quanto os tataravós lutaram, pela vida, pelo respeito e pelo reconhecimento da Nação da participação destes povos na formação do que hoje chamamos de Brasil, (brasa vermelha) que de vermelho tem um pouco, misturado com o branco, o negro, e o amarelo para dar forma  e cor a uma raça poliétnica que encanta em passarelas, em campos de futebol, na música e em tantos outros campos da cultura, tecnologia e conhecimento mundial se fazendo presente em vários segmentos importantes.

Quero falar dos Arturos, uma comunidade afrodescendente e quilombolas (*) que conta hoje com um pouco mais de 400 indivíduos e vivem  em Contagem, uma região metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

Todos são descendentes de Arthur Camilo Silvério, negro e filho de escravos que veio para o Brasil no século XIX, ele nasceu em 1880 e foi imediatamente beneficiado pela Lei do Ventre Livre de 1871, mas, veio a conhecer os horrores da escravidão, pois seu pai Camilo Silvério, ainda escravo, trabalhava em uma fazenda onde o seu "patrão" e "padrinho", o maltratava como a um escravo.

Fugiu, foi perseguido, trabalhou em outras fazendas da região e quando encontrou meios econômicos para voltar, foi trabalhar em um pequeno pedaço de terra herdado de seu pai. (atual morada dos Arturos).

Sua história esta marcada pela violência, o que o levou a desafiar o patrão e fugir,  quando por ocasião do falecimento de seu pai, ao tentar vê-lo e velar o seu corpo, foi horrívelmente agredido na boca, com um instrumento de madeira próprio desta tortura. Livre e com condições de criar uma família, deixou um legado  de onze filhos  que se multiplicaram e hoje formam a Comunidade dos Arturos e ainda preservam uma festa tradicional de Benção dos Mortos que esta comunidade soube manter intacta em mais de um século de história.

A história dos Arturos, foi contada aqui para que possamos entender as cicatrizes deixadas pela escravidão que marcou tão tristemente esta família e assim, sempre pensar nas consequências de nossos atos e nos atos da sociedade.

Hoje pelo mundo, são 27 milhões de escravos, a saga de Arthur Camilo Silvério ainda continua em cada pessoa privada de sua liberdade.

Se em sua árvore genealógica os sobrenomes se extinguirem nas proximidades de 1888, ergue sua cabeça, e pense que talvez seus antepassados tenham sido os nobres homens e mulheres que fizeram com que o povo brasileiro pudesse hoje refletir na condição de unificação, tolerância, dignidade, trabalho e principalmente miscigenação.

Para saber mais sobre os Arturos siga este link da Comunidade Quilombola do Estado de Minas Gerais.

(*) Quilombo: Nome dado pelos escravos as aldeias criadas e protegidas para abrigar outros escravos fugitivos. Durante o regime escravocrata, os soldados e a milícia atacavam sistematicamente os quilombos para reduzir o número de negros fugitivos. Sem êxito, os quilombos se multiplicavam dia após dia, em um sinal claro de resistência.

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Comentários (4) Trackbacks (0)
  1. nossa adorei eesa coisa parabens !!!!!!!!!!!!!!!!
  2. HORRIVEL N COSTEI N ME AJUDO MERDA NENHUMA
  3. muito rica essa história
  4. Não me ajuda em nada

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