Nosso CEO, Gilad Japhet, conta histórias da seus familiares, vítimas do Holocausto

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O CEO e fundador de MyHeritage, Gilad Japhet, contou a sua própria história em homenagem ao Dia Internacional da Memória do Holocausto, relembrando de seus antepassados, que foram vítimas de um dos momentos mais trágicos da história da humanidade. Leia a história abaixo.

“Ano passado, escrevi um post no Facebook dedicado à memória dos meus familiares paternos de sobrenome Patt/Japhet, que pereceram durante o Holocausto.

Este artigo vai tratar das vítimas do lado materno da minha família: mais especificamente, da família da minha avó Chwojnik. A maioria dos familiares da minha mãe foram poupados do Holocausto, graças ao visionário Dr. Arie Leib Chwojnik (Oren), o tio da minha avó, nascido em 1890, na cidade de Ruzhany, hoje na Bielorússia, antigamente parte da Polônia. Quando eu tinha tinha 13 anos, me interessei em saber mais sobre meus antepassados de nome Chwojnik e esta foi a porta de entrada à minha paixão pela genealogia. Chwojnik é uma família judia muito pequena e todos os Chwojniks são parentes. Aqui, gostaria de falar mais detalhadamente sobre o Dr. Chwojnik tanto pelo fato de ele ter sido uma pessoa muito interessante, quanto pelo fato de dever minha existência a ele.

Dr. Arie Leib Chwojnik com seu filho, Matitiahu, em 1924.

Naqueles dias de intenso preconceito – quando Judeus eram banidos das universidades em toda a Europa – foi uma verdadeira raridade, que Arie Leib Chwojnik tivesse conseguido se matricular na Universidade de Genebra para estudar medicina. Ele fez sua tese de doutorado e conseguiu se especializar em Otorrinolaringologia. Da mesma forma, foi super incrível que sua esposa Esther (conhecida como Ettia) pudesse ter tido a chance de se matricular na mesma universidade, para estudar medicina também. Ela acabou se tornando dentista.

Arie Leib Chwojnik e sua esposa Ettia na Suíça, aprox. 1920.

Arie Leib Chwojnik imigrou para Israel em 1922, 25 anos antes do estabelecimento de um Estado independente, com a ajuda do seu cunhado, o legendário Dr. Haim Bograshov, fundador e diretor da Escola Hebraica Herzliva. Esta foi a primeira escola secundária do país.
Uma pequena anedota, a cidade de Tel Aviv, decidiu homenagear o Dr. Bograshov e deu o seu nome a uma rua de Tel Aviv, enquanto ele ainda estava vivo. Ele foi humildemente contra esta homenagem e resolveu mudar seu nome de Bograshov para Boger, para evitar sua ligação com a rua! Os dois médicos, Dr. Chwojnik e Dr. Bograshov tinham algo em comum: eles se casaram com duas irmãs da família Mednitzky: Ettia e Mina.

Irmãs Mina (esquerda) e Ettia (direita) Mednitzky, aprox. 1910.

Já em Israel, o Dr. Chwojnik buscou utilizar sua especialidade médica, para fornecer serviços médicos melhores à população residente da época. Ele criou um hospital em seu nome, em Tel Aviv, onde pacientes de todas as religiões poderiam ser tratados. Dr. Chwojnik ficou tão famoso pelas suas habilidades médicas e conhecimentos terapêuticos, que sheiks de todo o Oriente Médio iam até Tel Aviv, para serem tratados por ele.

Ele era um homem talentoso, enérgico e com muitos interesses. Curiosamente, ele também era maçom e foi eleito venerável mestre da Loja Maçônica de Israel em 1944. Dr. Chwojnik previu que os Judeus não tinham um futuro na Europa, naqueles períodos negros e trabalhou incansavelmente para trazer todos os seus familiares para Israel nos anos 30. Ele arcou sozinho com os custos das suas viagens, comprou casas para que eles tivessem um lugar para morar, pagou por seus cursos e ajudou que encontrassem trabalhos. Todos aqueles que foram poupados do Holocausto graças às suas ações, devem suas vidas a ele.

Dentre os muitos familiares salvos por ele, estava a sua sobrinha – minha avó materna Chana Chwojnik. Ela imigrou para Israel em 1930, de Ruzhany. Ele levou-a para viver em sua casa e ela se tornou enfermeira em seu hospital – uma profissão que ela manteve para o resto de sua vida. Hoje o Hospital Chwojnik já não existe, e o seu prédio em estilo Bauhaus, em Tel Aviv, foi restaurado e reinventado como o Instituto Israelita de Contadores Públicos Certificados (ver imagem abaixo).

Viajando no tempo: O mesmo prédio no início da década de 30, quando o Hospital Chwojnik estava sendo construído. Minha avó, Chana Chwojnik está no centro, usando um lenço de pescoço branco. Ao seu lado está sua tia Ettia Mednitzky, esposa do Dr. Chwojnik.
My avó Chana Chwojnik ainda trabalhando como enfermeira voluntária após sua aposentadoria.

Outro membro muito respeitado da família Chwojnik foi o irmão da minha avó Chana Chwojnik – Dr. Menachem Chwojnik. Ele era professor e jogava xadrez como hobby. Depois de ter vencido por várias vezes o campeonato de xadrez em Cracóvia, na Polônia, ele foi selecionado para ser parte da equipe nacional de enxadristas da Polônia. Ele representou seu país na 2ª Olimpíada de Xadrez, em 1928. A equipe polonesa de enxadristas era muito forte. Os judeus constituiam a maior parte da equipe e com a ajuda do irmão da minha avó, eles levaram para a Polônia a medalha de bronze, do campeonato mundial daquele ano. A equipe polonesa continuou a ganhar várias medalhas a cada nova Olimpíada, em quase todos os anos até 1939. Depois deste ano, a grande maioria dos judeus poloneses foi exterminada ou deportada e a Polônia nunca mais voltou a ter as mesmas glórias do passado.

Menachem Chwojnik sobrevieu à 2ª Grande Guerra Mundial na Europa e imigrou para Israel em 1949. Apesar da idade avançada e da exaustão causada pela guerra, ele voltou a jogar xadrez. Para a surpresa de todos, ele mostrou que ainda tinha traços da sua genialidade de outrora. Ele foi o primeiro campeão israelita no xadrez, em 1951 e, já com mais de 50 anos, ele foi representar Israel em mais 3 edições da Olimpíada Mundial de Xadrez. Ele era professor de física na Escola Secundária Hebraica Herzliya e era muito conhecido por seu conhecimento e senso de humor. Ele morreu em consequência de um ataque cardíaco aos 60 anos – os homens da família Chwojnik tinham vários problemas cardíacos e muitos morreram após ataques cardíacos, relativamente jovens.

Dr. Menachem Chwojnik curvando-se para David Ben Gurion, o primeiro Primeiro-Ministro de Israel, depois de vencer o campeonato Israelense de xadrez, em 1951.

Graças ao Dr. Arie Leib Chwojnik, a maioria dos membros da família Chwojnik imigraram para Israel e foram salvos dos perigos do Holocausto. Isto incluiu a mãe do Dr. Chwojnik, Sara Henia Chwojnik, que é minha trisavó, todos seus irmãos e a maioria de seus sobrinhos e sobrinhas. Um sobrinho que não sobreviveu foi Abraham (Abrasha) Chwojnik, primo de primeiro grau da minha avó, que se tornou advogado em Vilnius, capital da Lituânia. Ele participou do movimento de resistência fundado por Abba Kovner, no gueto de Vilna, cujo lema era: “Nós não seremos ovelhas indo para o abate”. Abrasha Chwojnik se tornou um dos líderes da resistência. Ele foi capturado pelos nazistas e executado através da forca. Ele recebeu uma medalha pela sua coragem na Polônia, após sua morte. A imagem abaixo parece sugerir o contraste entre sua personalidade corajosa e lutadora, com seus traço faciais gentis.

Abrasha Chwojnik, partidário.

Um dos irmãos de Abrasha, Yosef (Ofka) Chwojnik, conseguiu se salvar, mudou para Israel e se tornou o líder da escola de aviação, da legendária Força Aérea de Israel.

A mãe de Abrasha, Dobe Chwojnik (nascida Lukaszewski), foi condenada a se tornar uma das vítimas do Holocausto. Ela havia imigrado em segurança para Israel com seus dois filhos (irmãos de Abrasha) e viveu em Israel por vários anos. No entanto, pouco antes da 2ª Guerra, ela cometeu o erro de voltar a Europa para uma visita e lá ela faleceu, durante a guerra. A foto abaixo mostra-a no centro, com Abrasha na esquerda e Ofka à direita – a foto foi tirada anos antes da imigração para Israel e da fatídica viagem à Europa.

Uma das irmãs da minha avó, Ahuva (Libke) Chwojnik, recusou o convite para ir para Israel. Talvez esta tenha sido a decisão de seu esposo. Ela era casada com Israel Bielous, proprietário de uma loja de ferramentas em Ruzhany e juntos eles tinham dois filhos pequenos, Miriam e Chaim. Eles preferiram ficar em Ruzhany. Todos os quatro foram assassinados durante o Holocausto. Eles eram, respectivamente, a tia, tio e primos da minha mãe.

A irmã da minha avó Libke Chwojnik (usando o vestido estampado), com seus filhos Miriam e Chaim, todos mortos. Sua irmã Leah Chwojnik (no topo, à direita) foi para Israel com a ajuda do Dr. Chwojnik’s help e se salvou.

Anos mais tarde, em Israel, quando minha bisavó Rachel Chwojnik (nascida Diskin) estava segurando minha mãe no colo, ela caiu em lágrimas, ao se lembrar de Miriam Chwojnik, sua primeira neta, que foi morta na infância.

Miriam (Mira) Bielous, filha de Libke Chwojnik. Assassinada aos 11 anos de idade. Ela era prima de primeiro grau da minha mãe.
Minha avó Chana Chwojnik (à esquerda) e sua irmã mais velha Libke Chwojnik (à direita), que ficou em Ruzhany e morreu no Holocausto. Esta foto foi tirada pouco tempo antes de minha avó Chana deixar sua vida para trás e imigrar para Israel. Para Chana, a foto era para ser uma lembrança da sua despedida da irmã Libke. Elas nunca mais se viram novamente.
Pedido de naturalização em Israel (Mandado da Palestina) da irmã da minha avó Leah Chwojnik, com um anglicismo do seu nome – Liza. Ela deu o nome de seus dois responsáveis: Dr. Bograshov e Dr. Chwojnik. O documento foi protocolado em 1941. Alguns anos mais tarde, Leah foi voluntária no Auxiliary Territorial Service (Serviço Territorial Auxiliar, ou ATS, muitas vezes pronunciado como um acrônimo). Este era um ramo do Exército Britânico, durante a 2ª Grande Guerra, para ajudar na luta contra os alemães. Leah nunca se casou e todos a chamavam por “Doda Leah” — Tia Leah.

Minha avó Chana Chwojnik prosperou em Israel. Ela se casou com Shmuel Isaacson e tiveram duas filhas: minha mãe Sara e minha tia Tzippora. As duas irmãs tiveram no total 11 filhos e 40 netos.

Esta é uma pequena parte da história de uma família judia, a família Chwojnik, de Ruzhany, mas ela representa muitas histórias parecidas. Esta família não sucumbiu aos nazistas e conseguiu criar para si um novo futuro, em Israel. MyHeritage existe porque eles sobreviveram.

Eu dedico este artigo à memória dos membros da família ChwojnikI que pereceram no Holocausto, entre milhões de outros. Que a sua memória seja abençoada.”

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  • Robson


    fevereiro 15, 2018

    Interessado conhecer famílias Coutinho e Medeiros – antepassados?