A mesma história

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Já nos contaram esta história. Todos da família parecem conhecê-la. Mas ainda assim, “a história” é a grande estrela das noites em família, dos encontros no final de semana e até mesmo em eventos como casamentos e batizados. Mesmo que não tenha uma ligação aparente com o assunto da conversa, em algum momento alguém vai dizer: “vocês se lembram daquela vez que…?”

Todas as famílias têm pelo menos uma história assim. Uma história divertida, um fato inusitado, uma piada que vai do incomum ao surreal, passando pelo peculiar e o hilário. Pode ter sido um casamento, onde algo deu muito errado, uma viagem com um desfecho inesperado, uma situação muito cômica. Você se lembra de alguma situação assim?

Na minha família temos um exemplo também. Um de muitos, para ser sincera! Era um domingo qualquer, e iríamos fazer um churrasquinho simples na casa do meu avô. Meu pai tinha comprado fraldinha em um açougue, meu avô temperou a carne e ela ficou descansando na mesa da cozinha. Minha avó e minha mãe estavam preparando a maionese, o arroz, minha tia cortando pão e fazendo salada de tomate com cebola, meu avô e meu tio acendendo a churrasqueira. Todo mundo com uma tarefa, batendo papo, felizes pela família reunida e pelo dia gostoso que estava fazendo. De repente, o alarme: cadê a fraldinha? Que fraldinha? A fraldinha que estava aqui, em cima da mesa!

Todos os olhos recaem para a nossa cadela, Roque, que estava a poucos metros comendo, feliz da vida…. a fraldinha!

E a cada vez que nos reunimos, para um novo churrasco, ou quando no cardápio consta fraldinha, o aviso: cuidado com a Roque! Mas mesmo a piada sendo antiga, seria injusto reclamar da repetição desta história familiar, que chega a ser uma HISTÓRIA, assim em maiúsculas, para a nossa família. Mesmo já sabendo o que o Tio Luiz vai querer contar, quando ele começa: que carne que você comprou pro almoço? Esta é parte da nossa história familiar, desta família que amamos.

Estas histórias familiares não são histórias espetaculares. Por vezes, elas nem parecem mais tão engraçadas, quando contadas para alguém que não faz parte da família. Até mesmo expressões que usamos por repetidas vezes são celebradas, ou até mesmo valorizadas por só serem entendidas dentro de um contexto familiar: “só os fortes entenderão”.

De tanto ouvirmos as histórias e de serem repetidas por várias pessoas, alguns detalhes começam a ganhar vida própria, a aumentar de tamanho. Se o tio Jorge levou dois pontos na primeira vez que a história foi contada, algum tempo depois já serão 4. Os detalhes crescem e a graça se multiplica, novos personagens aparecem e a história vai ficando cada vez mais enrolada. Tudo para que a família aproveite uma vez mais a sua própria história.

Qual é a sua história familiar preferida? Quantas vezes você já a ouviu? A história também mudou ao longo do tempo? De que maneira? Conte a sua história nos comentários abaixo. Queremos rir com você, afinal, também somos da família 😉

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