Herança cultural dos nossos antepassados – os portugueses na Malásia

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Do que você se lembra quando pensa na sua família? Que tradição das gerações anteriores você continua honrando e passando para a frente para seus filhos e netos?  Estas são perguntas importantes para podermos entender o que é a herança cultural.

Então, vou dar um exemplo da minha própria: estes dias fiz aniversário; minha irmã me ligou para me parabenizar e comecei a contar como não tinha dormido muito bem na noite anterior, mas que tive que ficar na cama, esperando pelas minhas filhas e meu marido, pois o nosso ritual de aniversário é “acordar” o aniversariante com um bolo, com uma velinha acesa, alguns presentes e muitos beijos e abraços, ao som do parabéns a você. Minha irmã ficou surpresa e comentou: nossa, você continua com esta tradição? Pois esta era a maneira como a minha família me parabenizava a cada aniversário: meus pais, minha irmã e meu irmão vinham me acordar e me dar os parabéns a cada aniversário. E são muitas as fotos que tenho de pijama, descabelada, mas com um sorriso enorme no rosto, rodeada pela minha família, em vários aniversários da minha infância e adolescência. Simplesmente não sei celebrar de outra forma e é assim que celebramos agora o aniversário das minhas filhas, do meu marido e o meu.

É claro que com o casamento, incorporamos tradições de uma outra família também. A do meu marido, por exemplo, come cordeiro todo domingo de Páscoa e esta foi uma tradição que assumi e que agora preservo como minha. Aqui, sem cordeiro, não há Páscoa.

Minha irmã, embora não tenha mantido a tradição do aniversário, mantém outras tradições como fazer brigadeiro e gelbinho (receita de um docinho inventada pela minha família!) lá no Canadá, onde mora e onde estes quitutes não fazem parte da culinária local, preparar um pernil no Natal, ou ou ensinar a língua de herança (o português) aos seus filhos.

E foi exatamente isso, embora talvez não tão conscientemente, que fizeram os colonizadores portugueses que se instalaram na Malásia há mais de 4 séculos. Eles, talvez inicialmente sem maiores pretensões, também preservaram e passaram para os seus descendentes costumes da terra natal: ensinaram a língua portuguesa, mostraram como é a culinária lusitana e hoje, para exercer ainda mais a sua ligação com Portugal, os kristangs até dançam o vira. Ou seja, tantos anos e até séculos depois, ainda dá para ver um pouquinho da cultura portuguesa em um país com poucos laços com Portugal.

Malaka, Índia, gravura a cores. Wikimedia Commons, licença de domínio público

Os portugueses chegaram até Malaca, há quinhentos anos, assim como chegaram ao Brasil: por via marítima. Lá como cá, eles criaram povoados, ergueram suas igrejas e se instalaram, criando um pequeno povoado. O povo que lá mora é conhecido como “kristang” (cristão) e o dialeto que eles falam também recebe o mesmo nome. Os portugueses comandaram o vilarejo por 130 anos, até a chegada dos holandeses, em 1641. Apesar da perseguição religiosa que sofreu, o povo português se embrenhou na selva e por lá sobreviveu até a chegada dos ingleses, em 1805. E através desta mudança os portugueses conseguiram sair da clandestinidade e voltaram a se estabelecer em Malaka.

E hoje em dia, tanto tempo após a chegada dos primeiros colonizadores a comunidade portuguesa prosseguia forte e orgulhosa de seus costumes que são passados de pai para filho, somente na tradição oral.

Você já parou para pensar que as suas tradições de hoje podem estar ainda na sua família gerações e gerações depois? O nosso papel de educadores e de zeladores da história da família de repente ganha toda uma nova dimensão, não acham?

Cultive você também a história da sua família!

Fonte: Fortalezas.org e vortexmag.net

 

 

 

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