Entrevista com o pesquisador do Museu da Imigração – Henrique Trindade

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Todos que acompanhaam o nosso espaço, já sabem que o MyHeritage tem uma parceria com o Museu da Imigração em São Paulo, em que disponibilizamos computadores para que os visitantes do  museu(MI) criem suas próprias árvores genealógicas e busquem registros sobre seus antepassados. Nesse espaço há uma orientadora que auxilia os visitantes e contribui para que ainda mais pessoas se interessem pela genealogia.

Nossa orientadora é Izabelle Silva, estudante de História e estagiária no Museu da Imigração. Recentemente, Izabelle entrevistou Henrique Trindade, formado em História pela Universidade de São Paulo e atualmente pesquisador do Museu, trabalhando no MI desde a reforma que aconteceu em 2014. Nessa entrevista conversamos sobre sua função de pesquisador de documentos históricos e procuramos dar dicas de como iniciar essa busca. Esperamos que seja útil para quem está mergulhando nesse novo mundo!

Izabelle Silva: Henrique, você poderia se apresentar e nos contar um pouco sobre seu trabalho no Museu da Imigração?
Henrique Trindade: Meu nome é Henrique Trindade Abreu e sou formado em História pela Universidade de São Paulo. Trabalho na área técnica do Museu da Imigração, especificamente na equipe de pesquisa (como Analista de Pesquisa). As atividades envolvem toda a regular dinâmica de pesquisas em museus históricos e algumas questões específicas ao Museu da Imigração, pesquisas sobre o acervo de objetos do museu, formulação de projetos de história oral, pesquisas sobre a história da Hospedaria de Imigrantes e a história da imigração, principalmente no Estado de São Paulo, escrever artigos para o blog do museu e para outros meios (revistas acadêmicas) quando surgem demandas, curadorias de exposições.

De específico tenho a responsabilidade de auxiliar pesquisadores na busca por documentos de famílias, principalmente no acervo digital, disponível no site do Museu da Imigração. Tal acervo reúne listas de bordo com desembarque em Santos, registros de matrícula na Hospedaria dos Imigrantes, iconografias, cartografias, etc.

IS: Recebemos muito visitantes aqui no MI cujo objetivo da visita é a procura de documentos relacionados aos seus familiares. Quais são os passos para dar início à essa procura?
HT: Os passos dependem do objetivo dos visitantes. Se o desejo é obter uma cidadania europeia (caso da maioria), por exemplo, a sugestão é que antes de tudo procurem consulados e a embaixada do país para o qual querem solicitar a cidadania. O intuito é confirmar se possui direito à cidadania e saber quais documentos são necessários para se reunir. Outra sugestão é reunir certidões de registros civil da família produzidas no Brasil, pode-se começar pela certidão de nascimento do solicitante. Muitas dessas certidões (nascimento/batismo, casamento e óbito) trazem informações importante sobre a história da família.

Se a família fixou-se no estado de São Paulo as buscas pela chegada dela podem ser feitas por meio do site do museu, já mencionado. Sabendo o nome e o sobrenome do (s) imigrante (s) já é possível realizar a pesquisa.

IS: O Acervo Digital do Museu envolve somente os registros de matrícula dos imigrantes na Hospedaria do Brás e Listas de Bordo de alguns dos navios que desembarcaram em Santos, certo? Se não for possível encontrar o registro do antepassado no acervo do Museu, o que você sugere que seja feito?
HT: O Acervo Digital do Museu reúne os registros de matrícula na Hospedaria do Bom Retiro (1882-1887) e do Brás, a partir de 1887. Reúne também listas de bordo com desembarque em Santos, a partir de 1888. Importante salientar que nem os registros de matrícula nem as listas de bordo estão completamente digitalizados e preservados.
Se o registro não é encontrado no acervo do museu existem outros caminhos a serem feitos. Pesquisas no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, no Arquivo Público do Estado de São Paulo, principalmente os registros de estrangeiro (RNE); se o imigrante chegou e se fixou, primeiramente, no Espírito Santo, por exemplo, o Arquivo Público do Espírito Santo, outros arquivos estaduais e internacionais.

IS: Henrique, sabemos que a busca de documentos e informações sobre nossos antepassados é bastante complexa e existe uma gama de possibilidades para essa pesquisa. Quais são os maiores desafios para as pessoas que estão procurando documentos familiares no Brasil ou em outros países?
HT: Considero dois como sendo os maiores desafios. O primeiro é saber onde procurar e o que procurar. E o segundo desafio é descobrir onde está a certidão de nascimento/batismo do imigrante.

IS: Em sua opinião, qual a importância de procurarmos sobre a nossa genealogia e como isso pode contribuir para a formação da nossa identidade?
HT: Estudar genealogia nos ajuda a compreender que somos sujeitos históricos; Além disso é um caminho interessante que motiva pessoas a estudarem certos fenômenos históricos. Um descendente de refugiados da Segunda Guerra, quando descobre que é descendente desses refugiados, certamente vai se interessar mais pelo período, mesmo caso para descendentes de italianos que procuram compreender mais a história da unificação italiana por exemplo, etc.

IS: Você pode nos contar sobre sua experiência pessoal com a genealogia? Já se interessou por descobrir um pouco mais sobre os seus familiares?
HT: Desde criança soube que minha família era proveniente do Líbano, Portugal e Piauí. Morei sempre com minha avó, filha de libaneses e com meu vô (falecido já), filho de portugueses e torcedor fanático da portuguesa. Mais recentemente descobri que meus bisavós libaneses eram da região de Rachaya (minha avó dizia que era justamente na fronteira com a Síria) e meus bisavós portugueses eram de Vimioso, Bragança. Por sempre morar com a minha avó as histórias sobre minha parte libanesa são maiores. A família do meu pai é toda do Piauí, há uma desconfiança que tenham origem em cristãos-novos, vindos para o Brasil no século XVII/XVIII.

IS: Por último, gostaria de saber qual a sua opinião sobre os sites de genealogia, como o MyHeritage, que contribuem para organizar todas essas pesquisas.
HT: Todas as plataformas que ajudam a difundir e permitem a indexação de documentos históricos são importantes em diversos graus. Como dito, a difusão de tais informações é o essencial, no caso do MyHeritage, pessoas acessam arquivos sem sair de casa e compartilham seus mini-arquivos sem sair de casa também. Sob o ponto de vista históricos, acredito que seja uma das grandes inovações do século XXI.

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  • Edmundo Dos Santos Figueiredo


    março 13, 2017

    Caro Henrique Trindade,
    Um tio meu de nome SEBASTIÁO SIMÕES PEREIRA OU SEBASTIÃO PEREIRA DE FIGUEIREDO emigrou para o Brasil entre os anos de 1820 e 1900.
    Perdi-lhe o rasto.
    Obrigado

  • irene ko freitag costa


    março 15, 2017

    Gostomuitode