Quando recordações se tornam especiais

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Este artigo foi escrito por Daniel Horowitz, genealogista chefe de MyHeritage.

Nossas vidas são uma sucessão de momentos: alguns alegres, outros tristes, alguns totalmente sem graça e outros ainda são extraordinários.

Estes momentos vão nos moldando e definindo quem somos, e são também aquilo que deixamos para as nossas famílias em forma de recordações. Tenho certeza que você também tem estes momentos e lembranças guardados na memória. Mas se eles estão somente na sua memória e não são passados para a frente… como diria aquele humorista famoso: é aí que mora o perigo. Quando nós não estivermos mais por aqui, quem irá se lembrar deles?

Esta é uma das maiores preocupações dos genealogistas e pesquisadores da história da família. Nós precisamos ter uma forma de guardar estas lembranças e passá-las para as gerações futuras. Uma forma de fazê-lo é tentar lembrar de nossos antepassados em uma data específica, embora a maioria de nós se lembre dos familiares mais queridos todos os dias.

Para tanto, algumas pessoas fazem uma oração, outras acendem uma vela ou observam fotos antigas. O segredo é continuar a falar sobre os seus antepassados para os familiares que fazem parte da sua vida agora, de forma contínua.

Minha querida amiga Carol Hoffman é uma bibliotecária aposentada, muito comprometida com a genealogia, membro atuante da equipe da IGRA (Associação de Pesquisa Genealógica de Israel), bem como presidente do LitvakSIG. Carol tem uma forma muito especial de se lembrar de seus pais. Recentemente, ela me escreveu algumas palavras sobre isso e são palavras tão cativantes, que resolvi pedir a sua permissão para compartilhá-las com vocês, aqui no blog.

Ela escreveu: “Todo dia, conforme se aproxima o dia do yizkor (palavra em hebraico que significa “lembrar”, o dia de nos lembrarmos das pessoas falecidas, como no nosso feriado de Finados) dos meus pais, eu escrevo uma memória para meus filhos e meus quatro sobrinhos. Eu faço uma cópia para minha irmã, embora ela e seus filhos não sigam esta data judaica, mas sim uma data qualquer em dezembro, e eles também não acendem velas – mas eu gosto de lembrá-los mesmo assim. Todos os anos, as memórias que escrevo têm uma informação nova, e uma foto ou outra lembrança bacana sobre os meus pais. Esta é uma tradição muito bonita, que gosto de recomendar para todos quando chegar a sua vez, mas se Deus quiser, ela não vai chegar tão cedo. Nós genealogistas temos recordações bacanas nos nossos computadores, ou nas nossas mentes, ou corações. E todos nós podemos fazer algo especial. Hoje, eu enviei a seguinte memória para todos os meus parentes um pouco mais cedo, pois eu estava super empolgada com os Registros Americanos de Alistamento do MyHeritage.”

Carol Judith Hoffman, com seu pai Philip Hoffman em 1941
Carol Judith Hoffman, com seu pai Philip Hoffman em 1941

“Neste ano o Yizkor do vovô coincide com o Natal. Nós acenderemos a vela de Yizkor na noite anterior, dia 24 de dezembro de 2016. Já fazem 48 anos que ele nos deixou. Muitos de vocês eram muito pequenos na época para se lembrar bem dele, mas o que eu peço a cada um de vocês, a cada ano, é tirar um momento do dia para se lembrar um pouquinho dele. Minhas recordações são infinitas, eu sempre me lembro dele como uma pessoa boa, que falava baixinho, um homem de poucas palavras, extremamente inteligente e acima de tudo um verdadeiro gentleman.

Este ano, eu estou mandando a minha tradicional memória um pouquinho mais cedo, pois há alguns minutos, eu encontrei um documento incrível mostrando a assinatura do Vovô.

Eu tinha lido o anúncio que o MyHeritage tinha publicado os Registros Americanos de Alistamento da Primeira Guerra Mundial – de 1917 e 1918 – mais de 24 milhões de registros. Eu logo liguei o meu computador, abri o site e comecei a pesquisar na nova coleção, com o nome do Vovô: Philip Hoffmann e bingo! Olhem só o que encontrei:”

assinatura
Cartão de alistamento de Philip Hoffman, na Primeira Guerra Mundial – 5 de junho de 1917

“O cartão mostra que ele nasceu em abril de 1892 (sim, isso nós já sabíamos) em Copciowo (Kopcheve em Yiddish, ou Kapciamiestis em lituano), que era parte da Rússia na época e agora da Lituânia. Ele era funcionário de uma farmácia, na Universidade de Pittsburgh (e o vovô se formou na Universidade de Pittsburgh, na Faculdade de Farmácia em 1919, após ser dispensado do Exército). Ele era solteiro e se vocês olharem no final da primeira página, vocês irão ver a assinatura dele – exatamente na forma que ele costumava assinar, durante toda a sua vida nos Estados Unidos.

E como bônus, ainda tem uma foto do vovô Philip com a família e seu retrato, em uniforme.”

uniforme
Philip com a família e com o uniforme

“Agora podem rir, pois quando eu era pequena eu achava que ele deveria ser um general, ou algo assim, pois ele parecia tão importante no seu uniforme (mas ele era apenas um soldado)!

Yizkor: 24 de dezembro de 2016, acenda uma vela para o Vovô Philip.

Com carinho, Mamãe / Tia Carol”

Carol acha, e eu concordo, que quando compartilhamos as nossas recordações com aqueles que amamos, é importante usar mais imagens que apenas texto. Assim ela consegue envolver muito mais os bisnetos, que nem mesmo conheceram seu bisavô. O lema dela: se você não sabe de onde vem, você não saberá para onde ir.

Tenho certeza que você também tem inúmeras maneiras de se lembrar dos seus parentes queridos, que já não estão aqui conosco, em datas especiais. Adoraríamos saber como vocês fazem para manter sempre acesa a lembrança destas pessoas especiais.

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  • Luis Sá


    dezembro 30, 2016

    Acho que é muito bacana, para quem gosta conhecer os seus antepassados