Deixei meu sapatinho na janela do quintal…

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Assim começa uma música de Natal bastante conhecida no nosso país. A mensagem que tiramos desta canção é que não importa que o presentinho seja mais humilde ou não, o Natal e a sua magia sempre chegam até nós.

Mas conforme eu vou vendo os pedidos das crianças e de muitos adultos neste Natal, fico pensando: até que ponto estamos ainda envolvidos com os valores tradicionais do Natal? Quais são os seus? Será que vocês também estão pensando em roupas,eletrodomésticos, eletrônicos ou outros bens pouco duradouros? Estou comentando especificamente sobre estes bens “perecíveis”, pois recentemente assisti a um documentário que tratava do tema “obsolescência programada”. Vocês conhecem o termo?

Segundo a Wikipédia, obsolescência é a condição que ocorre a um produto ou serviço que deixa de ser útil, mesmo estando em perfeito estado de funcionamento, devido ao surgimento de um produto tecnologicamente mais avançado. Fala-se de obsolescência programada quando produtor programa, desenvolve, fabrica e distribui um produto, para consumo, de forma proposital para que se torne obsoleto ou não-funcional especificamente para forçar o consumidor a comprar de novo!

Ou seja, sabe aquela sensação de que o nosso celular já não está “tão bom”? Então, não é apenas uma sensação. É uma estratégia proposital de determinadas firmas para fazer cada um de nós comprar novos produtos. E é por isso que temos muitas vezes aquela sensação de que as coisas antigamente duravam mais.

O vídeo que posto logo abaixo, dá um exemplo de como isto acontece. As lâmpadas, logo que foram criadas, tinham uma vida útil de mais de 2500 horas. Logo, outras lâmpadas foram sendo criadas e patentes foram sendo registradas para novas e super potentes lâmpadas que nunca chegaram às prateleiras das lojas. O grande erro delas? Elas tinham uma vida útil de até 100 mil horas! Mas os grandes fabricantes da época se uniram para criar um cartel que queria proteger os seus interesses e garantir que eles continuassem vendendo bastante e para atingir este objetivo, eles limitaram a vida útil da lâmpada – após um grande tempo de pesquisa, pois tiveram que piorar propositalmente o produto – a apenas 1000 horas. Parece louco demais alguém piorar de propósito um produto, não?


Mas porque venho falar de lâmpadas e obsolescência aqui? Num blog sobre história da família?

Estamos em tempo de Natal, tempo em que temos a chance de parar e refletir sobre a nossa vida e de pensar nos valores que nos são realmente importantes. E queremos lembrar que antes de comprarmos mais um celular, mais um brinquedo para aquele neto que tem o quarto entulhado de brinquedos, antes de comprarmos tanta comida que acabamos jogando fora no dia 26 de dezembro, devemos parar para pensar nos presentes sem valor material.

Podemos pensar em dar aos nossos netos o presente da nossa presença, de cantarmos, brincarmos, lermos ou rirmos com eles. Podemos dar a nós mesmos o presente da pesquisa – em vez de pegarmos os congestionamentos programados para chegarmos até a praia, talvez possamos fazer aquela viagem em  busca das nossas raízes, que já estamos adiando há tanto tempo. Podemos levar a magia dos nossos antepassados e passar uma noite compartilhando histórias, lembranças e anedotas sobre os nossos parentes. Além das muitas selfies natalinas, podemos tirar dos armários os álbuns antigos e simplesmente recordar.

A lâmpada que ilustra este artigo, a lâmpada centenária, que está pendurada na Califórnia e sendo utilizada desde 1901 é um exemplo de algo que foi feito para durar. Passam-se os anos e ela continua iluminando.

Que neste Natal nós também possamos construir lembranças que se perpetuem e que não se limitem a poucas horas.

 

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