Terra – Planeta água

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Há algum tempo atrás recebi um email triste de uma usuária muito especial para nós: a Maria Lúcia. Ela comentava: “enviei a mensagem para justificar a você porque ando tão “quietinha” – tenho até postado, em meu blog, alguns assuntos do MyHeritage blog em português, mas não tenho participado dos comentários”. E ela continua: “Há muito tempo que, em Itu – SP, cidade em que nasci e moro estamos passando por uma crise no abastecimento de água potável que nem mesmo notícias de jornais escritos e televisivos conseguem mostrar em sua total realidade.”

Imagem: Alfonso Benayas

Em Itu está faltando água para banho, para banheiro, para lavar roupa, lavar louça e até para cozinhar. A Maria Lúcia, por exemplo, só tem comido em restaurantes. Mas e como ficam os estabelecimentos comerciais, que também estão sem água? Estão  todos tendo que se virar, tendo que comprar água de caminhões-pipa, para abastecer as caixas d’água.

E o que isso tem a ver com a genealogia? – perguntarão alguns… Ora, todos nós aqui no Brasil temos um passado de imigração e, em Portugal, de emigração. E muitos de nós tivemos também agricultores na família. Assim sendo, devemos nos lembrar de histórias de escassez de água, ou de tempos de estiagem. Eu me lembro até de um passado não muito distante, quando eu morava na cidade do Porto, onde era muito comum faltar água nos finais de semana. Nós levantávamos, íamos até o banheiro lavar o rosto e cadê a água? As torneiras estavam vazias. E lá íamos nós em família até uma fonte mais próxima, carregando baldes, garrafões e garrafas para enchermos a banheira de casa, para tomarmos banho à noite, para dar descarga, para cozinhar.

No entanto, mesmo sabendo de todas estas histórias, muitos de nós ainda continuamos desperdiçando água lavando calçadas, lavando carro com mangueira e tomando banhos de horas, jogando assim litros e litros de água potável pelo ralo. E se somarmos este nosso desperdício pessoal ao descaso político (em não investir em soluções para a população) e a um verão seco somado a um inverno que também foi bastante seco, temos caixas d’água vazias e uma situação de desespero em nossas casas.

Como bem pondera a Maria Lúcia: “será que nossos bisavós e descendentes diretos deles imaginariam que passaríamos por uma situação dessas em algum dia?”

Gostaria de deixar aqui um apelo para todos: lembrem-se das gerações passadas que tanto economizaram, por saber que água era um bem precioso e escasso e pensem nas gerações futuras que tanto dependem das nossas ações, que ficarão para a posteridade.

Economize água. Nosso planeta agradece.

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  • Carlos Silva


    setembro 3, 2014

    Acessório para chuveiro promete economizar mais de 40% de água e de energia no banho diário:

    http://youtu.be/YyXxwhVRxKc

    http://www.ecoshower.com.br

  • Maria Lúcia Bernardini


    setembro 3, 2014

    Karen: a postagem está perfeita. O drama que temos vivido na cidade de Itu – SP, desde o final do ano de 2013, intensificado em fevereiro de 2014, quando, no início desse mês, numa segunda-feira, a cidade inteira amanheceu sem fornecimento de água e com as caixas d’água esgotadas. Não tínhamos percebido que o abastecimento era tão fraco que não estava alcançando as caixas d’água, mesmo as térreas. Ninguém nos alertava para a situação dramática dos mananciais, apenas os avisos de sempre, nas contas de água, para economizar água. Como não desperdiçávamos, e, há muitos anos, eu mesma lavo a roupa da casa e pessoal reutilizando as etapas da máquina de lavar para limpar área de piso lavável, acumulando a água descartada no tanque e, depois, com auxílio de baldes, reusando essa água para a lavagem de quintal e de pisos laváveis externos, tinha certeza de que estávamos fazendo nossa parte. Hoje, só lavo roupa quando somos abastecidos por caminhão-pipa, o que requer uma economia no uso de vestuário. Tomamos banhos mais rápidos ainda, com um balde, debaixo do chuveiro, para captar a água utilizada e esse balde é usado para a limpeza de detritos do vaso sanitário. Água de lavagem de luça também é captada em baldes, para reuso como descarga, após peneirar os detritos de comida, se houver. Aqui em nossa casa, no centro da cidade de Itu, uma área quase que estritamente comercial (cujos banheiros ficam interditados por causa da falta de água), nosso consumo médio mensal era de 23 ou 25 metros cúbicos. Nos últimos meses, temos “sobrevivido” – estou sempre atenta à leitura do hidrômetro – com 07 metros cúbicos (leitura de 04-08-2014) e 05 metros cúbicos (leitura de 02-09-2014). Como não há “força” para abastecer a caixa d’água do 1.º andar (um banheiro social) e a que fica no 2.º andar (que abastece lavabo, banheiro da suíte, lavanderia e cozinha), também temos recorrido a caminhão-pipa, que vem com um carga de 10.000 litros para abastecer nossa caixa d’água maior, de 1.500 litros. O valor do caminhão-pipa é o mesmo para abastecer tanto com dez mil litros quanto com mil e quinhentos litros. Detalhe importante: não é água tratada de estação de tratamento de água, portanto, não podemos dispensar a compra de galões de água mineral.
    A sua postagem fica como um alerta a todos, pois, em época de campanha eleitoral, no meu modo de entender, a situação dramática dos mananciais, no Brasil, está sendo tratada de modo irresponsável. O teor da postagem também ilustrou problemas de abastecimento na Europa (reconhecidamente como região onde a água sempre foi tratada de modo especial), em particular a sua experiência em Portugal. Minha bisavó italiana (Maria Fortunata ou “Marieta”) tinha paixão por flores e nossas primas de sobrenome Mazzulo contam como ela regava as roseiras que cultivava = um regador cheio de água, com um furo no fundo, era colocado, à noite, na área de terra onde ficavam as roseiras, para que o gotejar de água pelo furo regasse as roseiras. Não era um “xuáááá´” de rega logo cedo ou ao anoitecer; era o gotejar do regador durante a noite. Certamente, o que a induzia a fazer isso era a experiência trazida da Itália, de onde saiu com o marido (meu bisavô) e três filhos (meus tios-avós) em 1896, onde se passava fome, sede, onde grassava a “pelagra” e aqui desembarcaram em busca de um futuro no Brasil como agricultores. Valeu, Karen, que quem leia a postagem fique atento para as suas colocações e coloque em prática as advertências para economizar água potável.

  • Agenor Bernardini Júnior


    setembro 4, 2014

    Parabéns, Maria Lúcia, suas palavras conseguiram traduzir exatamente o sofrimento e sentimento de revolta dos 140 mil habitantes da cidade ITU. Faço minhas suas palavras.