12    jun 20141 Comentário

É o amor…

Há alguns dias pedimos a vocês que nos enviassem histórias de amor. Poderiam ser histórias dos seus avós, de antepassados, poderiam ser fotos românticas, as suas próprias histórias, queríamos, enfim, compartilhar um pouquinho do amor que está presente nas nossas famílias.

Muitos de vocês nos enviaram histórias muito bonitas e gostaria de agradecer por cada uma delas! Elas foram todas especiais e significativas e elas devem certamente ser contadas de geração para geração, para que não sejam esquecidas nunca!

Inicialmente, pensamos em fazer um resumo de cada uma das histórias enviadas por vocês, para compartilhá-las aqui no blog, em uma homenagem no Dia dos Namorados. Mas recebemos uma história tão especial, tão bonita, que resolvemos dedicar este post a somente um casal. Interessante é que já tinhamos publicado uma matéria sobre a família dele, como vocês podem ver aqui. No entanto, ainda não havíamos ouvido desta história de amor.

Jorge e Marize, hoje, na Casa de Chocolate

Convido todos vocês a conhecerem a história de Jorge e Marize, nas palavras do próprio Jorge:

"As nossas famílias eram muito amigas e até compadres: meu avô era padrinho de batismo da mãe dela a Mariza Deininger Nascimento. Eles tinham boas relações de amizade, e o alemão George Kaspar Deininger, pai dela, criava gado na fazenda do meu avô Cândido Regis de Brito. Infelizmente, as famílias brigaram, todo o desentendimento começou no final da década de 50 quando um tio meu, o Cláudio Regis de Brito, se candidatou por outro partido, rompendo assim com a família dela laços políticos firmados anteriormente. Como fui nascido e criado na cidade de Recife - PE, e raramente visitava o engenho, nada sabia sobre essa questão, sabia apenas que existia uma família nessa cidade que não se dava com a nossa.

Eu conheci a Marizinha no final de janeiro de 1978, na festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, padroeira da cidade. Quando chegou na quinta-feira, 2 de fevereiro de 1978, cheguei a cidade logo cedo e até esperei para ligar para a Marizinha. Como naquela época ainda não existia orelhão na cidade, o jeito foi ir a uma banca de revistas, onde eu comprava jornais, e pedir para fazer uma ligação local, no que fui prontamente atendido pelo proprietário que conhecia a mim e a minha família. Ele não sabia para quem eu ia ligar e pude falar longamente, pois ele até me deixou sozinho para que pudesse falar melhor. Ao final perguntei quanto era, ele não cobrou e eu voltei para o engenho - essa era a primeira vez que falava com ela, na festa foram só bilhetinhos que relia de vez em quando, para tentar entender o que estava acontecendo comigo, que apesar de já ter 23 anos, na altura, era a primeira vez que conhecia alguma emoção tão forte.

O local onde eu vivia era distante 18 Km da cidade e logo cedo, no outro dia, arrumei o que fazer e novamente voltei ao telefone. Estranhamente o senhor que tinha sido muito amável comigo estava completamente mudado e foi logo me dizendo: - 'Não quero me meter em confusão, daqui você não liga mais e por favor não diga a ninguém que fez esta ligação'. Não entendi nada e sai chateado, mas me lembrei do posto de gasolina, onde abastecia os carros e ao chegar estava o filho do dono, que até me conhecia e eu pedi para ligar, e ele dsse: - 'Pode ligar sem problemas'. E eu, todo alegre, peguei o telefone para ouvir aquela que me tirava o sono. Ela, ao atender, foi logo me perguntando: '- Você é daquela família do Engenho Mares?' e eu disse: '- Sou sim'. E ela foi logo me dizendo: 'Minha mãe disse que não podemos conversar mais pois nossas famílias são inimigas e você não pode aparecer aqui'. Então lhe perguntei: '- Responda sinceramente, você gostou de mim como eu gostei de você?', e ela respondeu: '- Sim'. E eu disse: '- Então vamos conversar por telefone, ninguém precisa saber'. E ela falou: '- A cidade toda já sabe'. Eu então lhe disse: '- então façamos o seguinte: - Todo dia às 14:00 horas aguarde o meu telefone, que ligarei do escritório do posto'.

Ela aceitou e ficamos combinados, todo dia eu arrumava o que fazer na cidade e na hora combinada estava eu ligando. Ela atendia no primeiro andar da casa dela e ninguém percebia as ligações, apenas o filho do dono do posto, ao perceber as ligações proibidas, passou a me exigir o carro emprestado, enquanto eu estivesse ao telefone. No último dia ele ainda bateu com o carro...  Essas ligações por vezes iam até às 21:00/22:00, o seguinte está contado no filme, que foi ao ar num programa do Sílvio Santos, que pode ser visto a seguir".

Depois de assistir ao filme, perguntei para o Jorge como tinha sido o desfecho da história e se as famílias tinham se reaproximado. A resposta dele:

"Quando a Marizinha resolveu escrever para o 'Programa Silvio Santos' escreveu tentando se reaproximar da mãe, a produção foi que tentou aproximar novamente as duas famílias. Mas o filme foi bastante mal entendido, pois a família dela tomou como uma brincadeira de mal gosto da minha parte e tentou intimidar a produção para que não fizesse gravações na cidade. O SBT conseguiu uma ordem judicial, de um juiz da capital, para que a gravação fosse feita com a proteção da Polícia Militar de outro batalhão, pois a da cidade poderia não proteger bem a equipe. Ao final da gravação o próprio Silvio Santos agradece a colaboração das autoridades. Após o filme pronto, tentaram impedir por meios judiciais a exibição do filme, mas perderam na justiça.

Como se pode notar no filme, a família não quis nem responder as ligações feitas pela produção durante o programa tentando uma conciliação.

A mãe dela, dois anos após o filme, entrou em contato e ficou falando com a filha. Quanto a mim, jamais nenhum me procurou e achamos melhor também não procurar, não guardo mágoa de nenhum, pois quando houve o desentendimento eu não tinha nem 6 anos de idade e não poderia ser responsabilizado pela ocorrência. Mas, as duas famílias continuam desunidas.

Quanto à nossa história, desde 1997 vivemos somente de facilitar o amor entre pessoas com a nossa "Casa do Chocolate", que além de vender produtos para quem se ama, ainda presta serviços de reconciliação de casais por mensagens ou pessoalmente. A loja já funciona desde 1997, mas eu só fui trabalhar com a esposa em 2001 quando encerrei as atividades na eletrônica.

As dificuldades que enfrentamos para ficar juntos nos deu muito conhecimento sobre os assuntos do amor, algumas pessoas ainda nos visitam apenas para pedir conselhos sobre suas vidas amorosas. O trabalho é muito divertido, pois quase diariamente chega alguém com uma história de amor e dificuldades e nos lembramos da nossa.

Nossos dois filhos já casaram e um infelizmente ficou viúvo, mas somos muito unidos e todos moramos em casas pegadas, unidas pelo mesmo terreno. Quase diariamente nos encontramos, seja no café, almoço ou jantar.

A Casa do Chocolate funciona com 6 pessoas, sendo Marize (coordena o atendimento interno), eu Jorge Nelson (atendimento externo e compras) e quatro funcionárias de apoio para atender uma região de 15 municípios. Além da nossa loja "Casa do Chocolate" me dedico ao estudo da genealogia das famílias "Coutinho" e "Regis" e tenho o maior estudo genealógico das famílias do Nordeste: "Os Oliveira Ledo e a Genealogia de Santa Rosa"."

Obrigada Jorge, por nos enviar esta linda história de amor. Infelizmente, não houve um reconciliamento entre as famílias até agora, mas ficaremos torcendo para que haja um no futuro. Enquanto isso, parabéns pela sua linda família e pelo esforço que estão fazendo com o seu trabalho, para a felicidade de muitos outros casais. Espero que as assinaturas que vocês levaram de presente da nossa equipe os ajude a pesquisar ainda mais as famílias de vocês!

Comentários (1) Trackbacks (0)
  1. Maravilhoso. Eu também tenho uma história de amor.
    Creio que Deus vai me conceder essa graça de ficar com ele ainda nesta vida e depois. Ainda há impedimentos. Eu o conheci com 25 anos e ele 26. Hoje estou com 62.
    Felicidades ao casal da história

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