26    mar 20142 Comentários

Dr. Morte

Fonte: Wikipedia

Ao lidarmos com genealogia, estamos constantemente confrontados com os temas nascimento e falecimento. Viver e morrer são os eventos que nos fazem acrescentar mais um item às nossas árvores genealógicas, na esperança de tornarmos mais significativa a vida dos nossos familiares. Afinal registramos estes fatos, para manter vivas as memórias dos nossos antepassados.

Mas e quando a morte não é um evento natural, mas, sim, um evento assistido? Um caso de eutanásia?

A eutanásia voltou a ser tópico há uns 20 anos atrás na pessoa de Jack Kevorkian, o Dr. Morte. Jack foi um médico americano (26/05/1928-3/06/2011) que inventou uma máquina da morte e ajudou 130 doentes terminais nos Estados Unidos a cometerem suicídio.

Jack era patologista e logo no início de sua carreira médica, ganhou notoriedade por fotografar os olhos de pessoas mortas e por defender que os órgãos de pacientes mortos fossem retirados (com ou sem consentimento da família) para serem transplantados. Por conta disso, foi convidado a deixar a residência médica no hospital em que trabalhava.

Jack e sua "máquina da morte" Fonte: tejiendoelmundo

Na década de 90 começou a trabalhar para ajudar as pessoas que desejassem terminar suas vidas, evitando assim uma morte sofrida, ou uma longa doença degenerativa. para tanto ele construiu uma máquina de suicídio denominada de "Thanatron" (do grego "morte"). Os pacientes só tinham que apertar um botão para que um coquetel de drogas fosse injetado no organismo, matando o indivíduo. Com a popularização da prática, Kerkovian perdeu sua licença médica e já não podia prescrever as drogas que eram utilizadas em sua máquina. Na sequência, ele inventa uma nova máquina: a Mercytron ("mercy" em inglês significa misericórdia) que liberava um fluxo de monóxido de  carbono em uma máscara, sendo que novamente o aparelho era controlado pelo próprio paciente.

Por diversas vezes o Dr. Morte foi indiciado e novas leis foram criadas para tornar crime quando alguém fornecesse conscientemente os meios para uma outra pessoa cometer suicídio, com pena de prisão. Ele foi julgado e absolvido 3 vezes e em uma outra o julgamento foi anulado por falhas processuais.

No entanto, há exatos 15 anos (26/03/1999), Kevorkian foi julgado e considerado culpado de homicídio e não mais por suicídio assistido. No caso em questão o Dr. Morte não auxiliou somente no processo de morte, mas teve que ele próprio administrar as drogas, já que o paciente em questão - Thomas Youk - não era mais capaz de fazê-lo sozinho.

Além disso, Kevorkian foi criticado por não sempre fazer um exame psiquiátrico (em pelo menos 19 dos casos), por fazer um aconselhamento extremamente rápido (alguns pacientes morreram apenas 24 horas depois da primeira consulta com o médico), pelo fato dos pacientes não estarem sofrendo de uma doença terminal (66% dos casos) e outros 13 pacientes nem mesmo reclamavam de dor. Um dos casos mais emblemáticos foi o de Rebecca Badger, que tinha sido falsamente diagnosticada com esclerose múltipla, mas cuja necrópsia não constatou qualquer evidência da doença que teria sido utilizada como justificativa para tirar a sua vida...

E vocês, o que acham do assunto? Esperamos pelos comentários logo abaixo, ou no Facebook!

Fonte: Wikipedia

Comentários (2) Trackbacks (0)
  1. A postagem inteira é impactante e provocadora. Pelo comentário que farei, tenho certeza de que quem o ler saberá minha opinião sobre suicídio assistido ou sobre eutanásia. Acredito, sinceramente, que ninguém quer morrer com um sofrimento que representa não só uma tortura para o doente terminal mas também para a família: todos se tornam impotentes diante do sofrimento que não pode ser contido. No entanto, ganhei, dia 24-03-2014, de uma amiga, um livro publicado em 1997, nos EUA, com tradução para o português de José J. Veiga, publicado em 1998 - apenas para que percebam que eu o desconhecia até março 2014, mas que, com 200 edições, mais de 10 milhões de livros vendidos no mundo - o autor, Mitch Albom, relata os catorze encontros - catorze terças-feiras - com seu ex-professor de universidade - Morrie Schwartz - que está à beira da morte (esclerose lateral amiotrófica - ELA) e nesses catorze reencontros, o autor Mitch Albom relata A última grande lição - o sentido da vida (título do livro em português), pela Sextante, em que são apresentadas as reflexões de Morrie Schwartz sobre amor, amizade, medo, perdão e morte. Quantos, dentre os pacientes do Dr. Morte que, sem escrúpulo algum praticou a eutanásia, poderiam ter contribuído com sua sabedoria de vida é o que jamais saberemos. Claro que ainda estou em A Primeira Terça-Feira: Falamos sobre o Mundo, porém já posso recomendar essa leitura como essencial.
  2. Os temas eutanásia e suicídio são um grande tabu de nossa época, por conta dos discutíveis e distorcidos dogmas religiosos, alguns deles, livres interpretações de escrituras de origens tão duvidosas quanto. Como podemos crucificar alguém que livra um ser da tortura de sua existência, de sofrimento físico ou psicológico? O caso emblemático da pessoa que na autopsia não apresentava evidências da doença, tinha algo, uma doença da alma, que pode causar mais sofrimento do que a doença física.
    Na antiga Grécia, se poderia dar uma festa antes de se cometer suicídio, sem tristeza. Então, para mim, tudo é uma questão de época, contexto e não julgamento.

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