13    nov 20130 Comentário

Genealogia eslovena – Entrevista com Fernando Paternost

Fernando com sua prima Malu - Foto: Simone Hlebanja

Temos o prazer de dar sequência à nossa série de entrevistas, trazendo hoje informações sobre a pesquisa genealógica de descendentes de eslovenos, no Brasil. O entrevistado de hoje é Fernando Paternost, o principal responsável pelo blog Eslovenos no Brasil e também pelo site da União dos Eslovenos do Brasil.

Boa leitura!

MH- Fernando, você é um dos vice-presidentes da União dos Eslovenos do Brasil. Poderia me contar um pouco mais sobre esta União e os seus membros?
FP- A União dos Eslovenos do Brasil foi criada como uma associação da comunidade eslovena e seus amigos a fim de promover a língua e a cultura eslovena aqui no Brasil. Os membros são em sua maior parte os eslovenos e seus descendentes, mais alguns amigos.

MH- Poderia falar mais sobre a imigração eslovena no Brasil? Que outros países têm uma grande colônia eslovena?
FP- Não dá para falar de uma imigração eslovena para o Brasil. Na verdade há eslovenos que vieram em diferentes épocas para o Brasil. Posso citar o caso de duas famílias no Rio de Janeiro que vieram ainda na época do Império para trabalhar na nossa então capital. Há imigrantes que vieram para o Brasil no fim do século 19 e início do 20 por questões econômicas, onde vinham buscar uma vida melhor, muito associados a imigrações italianas para o Brasil. E há aqueles que vieram fugindo das guerras, principalmente a segunda guerra mundial. Destes, muitos migrantes são expatriados políticos ou religiosos.
Os países que possuem as maiores colônias eslovenas pelo mundo são os países vizinhos (Itália, Áustria, Hungria e Croácia), a Austrália, os Estados Unidos e a Argentina.

MH- Quando falamos de comunidade eslovena, de que países estamos falando atualmente?
FP- Quando falamos de comunidade eslovena realmente falamos sobre as pessoas descendentes dos eslovenos étnicos e seus amigos. Na Europa, diferentemente daqui, a questão da origem é muito importante. No caso da antiga Iugoslávia isso tem muita importânica. As pessoas sabem sua origem, mesmo morando em outro país. Aqui no Brasil essa questão é minimizada, pois não são essas questões que diferenciam as pessoas.

MH- Tem alguma cidade centro da colônia eslovena no Brasil ou os seus descendentes estão espalhados pelo país afora?
FP- Notadamente os eslovenos estão mais concentrados no estado de São Paulo e na cidade de São Paulo. Mas temos a presença de eslovenos por quase todo Brasil. Por isso a União dos Eslovenos do Brasil se desenvolveu na cidade de São Paulo.

Alunos de esloveno - Foto: Simone Hlebanja

MH- Quais são os desafios e objetivos da União dos Eslovenos no Brasil? Que tipos de eventos realizam?
FP- Na minha opinião, os dois grande desafios de hoje da UEB são uma troca de gerações e a falta de uma sede própria. A troca de gerações diz respeito a forma e interesses de uma nova geração, que usa mais a internet e quer a sua cidadania eslovena e a antiga geração que possui interesses na manutenção das tradições que muitos deles trouxeram da Eslovênia. Esses interesses não são conflitantes, mas é nítido que existe uma diferença muito grande. A questão da sede própria é o símbolo de união para a comunidade. Nós não temos nossa sede para fazermos nossas festas, nossas aulas, nossos ensaios de coral, para recepcionarmos autoridades e para guardarmos a nossa memória. Mas isso pode mudar muito breve, pois há a antiga casa do consulado Iugoslavo em São Paulo que ficou para a Eslovênia na divisão dos espólios da antiga Iugoslávia. Trata-se de uma questão burocrática internacional e da capacidade de reforma da mesma. A casa fica como um bem da República da Eslovênia, mas que deverá ser usada também pela nossa comunidade. Estamos todos aguardando ansiosos por um desfecho positivo nessa história.

MH- Como começou o seu interesse por genealogia?
FP- Eu sempre achei genealogia interessante, mas não sabia como começar a pesquisar e nem como organizar. Através da internet eu acabei descobrindo um programa muito bom para a montagem de árvores genealógicas - o Family Tree Builder. Logo depois, comentando com meu pai a respeito disso, ele me contou que tínhamos uma prima que havia feito um estudo de boa parte da família, tendo inclusive feito pesquisas na própria Eslovênia. Entrei em contato com essa prima que se chama Lucia e através dela e da ajuda de outra prima (Sandra) montamos a árvore que antes só tínhamos em papel. Desde então temos convidado parentes para fazer parte da árvore e aprimorar os dados.

MH- Conte um pouco sobre a sua história familiar.
FP- Tenho alguma ascendência italiana, mas bem distante (3ª ou 4ª geração) e uma ascendência eslovena bem próxima, no caso de meu avô paterno. Este meu avô veio para o Brasil com cerca de 2 anos de idade, com a mãe e alguns irmãos. Devido a problemas familiares eles voltaram para a Eslovênia para retornarem ao Brasil quando meu avô estava com 16 ou 17 anos. Meu avô nasceu em 1910. Nesta última vinda, um dos irmãos ficou pela Eslovênia e o pai deles também. Meu avô era o caçula de 8 irmãos. Meu avô teve 4 filhos homens (um morreu jovem e meu pai faleceu no último dia 4 de outubro). Mas meu avô nunca ensinou a língua eslovena para os filhos. E pelo que percebo isso é uma coisa que se repetiu com muita frequência dento da comunidade eslovena no Brasil. Mas neste tempo todo em que convivi com meu avô, sempre pensei nele como meu avô iugoslavo. Somente mais adulto que vim descobrir que sua identidade era eslovena. Meus pais tiveram 3 filhos (2 mulheres e um homem).

MH- Você trabalha em parceria com outros genealogistas ou parentes? Qual é o tamanho da sua árvore genealógica? Quem é o parente mais antigo?
FP- Sempre conto com a colaboração de parentes. Mas trabalhei com duas primas no início: Lucia (que fez a maior parte da pesquisa) e Sandra (que fez a primeira sistematização. Tive uma pequena ajuda do sr Dusan Baraga, um esloveno da região onde minha família se originou.
Atualmente nossa árvore genealógica conta com 333 pessoas.
Os parentes mais antigos são o casal Lukas Paternost de 1792 e sua esposa Ursula Komidar de 1784.

MH- Você tem contato com o país dos seus antepassados?
FP- Estive na Eslovênia pela primeira vez no ano passado, depois de anos planejando. Estive com uma de minhas irmãs e 2 amigos. Lá conheci alguns primos, que são descendentes do irmão do meu avô que não veio para o Brasil.

Ljubljana, capital da Eslovênia - Fonte: Wikipedia

MH- Teve algum evento durante a sua pesquisa que tenha sido especialmente interessante ou digno de nota? Algum mistério que conseguiu desvendar através da genealogia?
FP- Há dois momentos que foram muito especiais para mim. Um foi a ajuda do sr Dusan Baraga, que entrou em contato comigo para tentar localizar parentes aqui no Brasil. Sem que eu lhe pedisse nada, ele foi até a paróquia onde meu avô, seus irmãos e pais frequentavam e fotografou os registros de nascimento e casamento da igreja. E me enviou por email. Um gesto que tenho um carinho muito grande até hoje.
O outro fato foi descobrir uma prima morando na Croácia. Eu localizei uma moça com o mesmo sobrenome no Facebook e comecei a conversar com ela (em inglês). Eu sempre tive em minhas mãos uma recordação de meu avô, que era uma carta que ele traduziu para um sobrinho, justamente da Croácia. Quando contei esta história para essa moça e lhe disse qual era o endereço do remetente, ela me contou que se tratava da casa do avô dela. Depois disso consegui montar qual era o link dela comigo.
Há outros fatos menores, mas esses são os mais emblemáticos em minha opinião. E gostaria de ressaltar que sempre tive respostas muito educadas e interessadas quando perguntava para as pessoas sobre um possível parentesco.

MH- Que dicas você teria para alguém tentando encontrar seus antepassados eslovenos?
FP- Há alguns caminhos simples e outros nem tanto. Conseguir informações de parentes mais velhos é sempre muito interessante. Outra forma é pesquisar pessoas com o mesmo sobrenome que o seu.
A internet pode ser uma fonte muito boa. Sempre faço buscas pelo meu sobrenome no Google e no Facebook.
Caso tenha informações sobre a vinda de pessoas para o Brasil, no caso do estado de São Paulo (não sei dizer a respeito dos demais estados) há o cadastro do museu do imigrante, em que você pode ter acesso ao acervo digitalizado. Se seu parente chegou via porto de Santos, muito provavelmente vai encontrar registros oficiais do mesmo nos dados do museu. Inclusive é possível comprar cópias das páginas de registro de entrada. Vale muito a pena conferir.
E por fim sempre temos a boa e velha lista telefônica. Tanto daqui como do país de origem.

MH- E que conselho você daria aos nossos usuários que estão começando agora a pesquisar suas famílias?
FP- Paciência e perseverança. Os dados não aparecem do nada e muitas vezes são dificílimos de achar. Mas se alguém realmente está interessado, vá atrás. A internet é uma ótima fonte de busca, mas ela sozinha dificilmente vai resolver os problemas que se encontram pelo caminho.

MH- Como entrar em contato com os eslovenos do Brasil?
FP- Temos nosso blog: http://eslovenosnobrasil.wordpress.com/
O nosso site: http://www.eslovenia.org.br/
E um grupo no Facebook: https://www.facebook.com/groups/107689435978887/

Obrigada Fernando, por esta entrevista!

E vocês, também têm descendência eslovena? Conte mais sobre a sua família no campo dos comentários!

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