13    jun 20136 Comentários

Todas as histórias nos ligam

Eu sempre ressalto no que falo que Genealogia não é um hobbie e sim uma vocação.

Acredito sim, que somos todos parentes de alguma forma, e que o nosso trabalho é descobrir estas ligações que o tempo esconde e que todas as histórias estão unidas em algum ponto do passado.

Maria Madalena dos Santos, genealogista em Portugal nos presenteia hoje com uma belíssima história de pesquisa genealógica. Uma daquelas histórias que invadem castelos e túmulos e que tira a poeira do tempo na busca do passado.

Maria Madalena, é uma das atrizes da maior festa medieval de Portugal a Festa de Santa Maria da Feira e na Viagem Medieval, o papel que ela interpreta exige que ela faça um intenso laboratório do personagem a ser interpretado, no caso dela, a Rainha de Portugal Dona Urraca. Seu laboratório foi buscar a história do personagem.

Na busca desta personagem histórica, Maria Madalena , com surpresa esbarrou na história de Fernando de Bulhôes, e percebeu que estava diante de uma santo, o Santo António, leia as conclusões de Maria Madalena:

"Sou grande Devota de Santo António e esta minha Devoção vem já de muitas gerações passadas.

E por felicidade, este ano, numa grande pesquisa em que me envolvi para a Viagem Medieval de Santa Maria da Feira, com o Reinado de D.Afonso II, fui encontrar em 1217 Fernando de Bulhões a trabalhar nas enfermarias do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde professava e ajudava a tratar dos Frades que ali passavam a caminho das terras onde iam pregar. A vivência e a filosofia destes Frades menores, entusiasmaram-no bastante, principalmente os Franciscanos.

Santo António

Nasceu em Lisboa a 15 de Agosto de 1195! Era filho de uma família burguesa abastada e recebeu o nome de baptismo de Fernando de Bulhôes. Filho único pertencente ao clã dos Bulhões y Taveira de Azevedo. Teve uma infância feliz e tranquila. Quando resolveu ser Frade e optou pela Ordem de Santo Agostinho. Possivelmente, em princípio, terá tido alguns entraves por parte dos seus pais por ser o único herdeiro de Martinho e de sua esposa.

Os primeiros oito anos como Frade foram passados entre Lisboa e Coimbra, intensamente dedicados aos estudos, desde tratados teológicos e científicos até às Sagradas Escrituras. Possuía uma vasta cultura geral e religiosa. E foi em Coimbra que acaba por ver algo que vai modificar a sua vida.
Tinham partido para Marrocos 5 Franciscanos que passaram por Coimbra, mas que acabaram por ter um fim trágico em Marrocos. A sua pregação e os seus grandes milagres em terras Muçulmanas, fizeram a ira do Sultão e esse manda o seu filho Abosaide os prender, maltratar, passarem por grandes torturas que acabaram por serem decapitados. Foi tamanha a crueldade que estes Franciscanos sofreram que o povo muçulmano que assistia compadecem-se e pedem-lhes que se convertam a Maomé para lhes acabar aquele suplício. Mesmo o Príncipe Abosaide tenta demovê-los e fica fascinado pela Fé irredutível daqueles Frades. Acabaram decapitados e os seus restos mortais foram entregues ao Infante D. Pedro, irmão do rei de Portugal, que os trouxe para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde estão hoje e são conhecidos pelos 5 Mártires de Marrocos.

É aqui que Fernando de Bulhões vai assistir a esta chegada e sabe de todo este sofrimento, de toda a prova dada pela Fé em Deus e toma então ele a decisão de querer ir pregar para Marrocos. Sendo da Ordem de Santo Agostinho, muda para a Ordem Franciscana e adpota o nome de “ANTÃO” que quer dizer ANTÓNIO. Pouco tempo depois partiu para Marrocos aonde viria a adoecer gravemente com febres muito altas sendo obrigado a voltar a casa. Mas o destino de António estava traçado… uma enorme tempestade afasta o seu barco para a Sicília em Itália. Já recuperado, participa aí numa Assembleia Geral da Ordem de Assis e conhece pessoalmente o grande Francisco de Assis, de quem se torna-se grande amigo.

Talvez induzido pela santidade de Francisco, António começa as suas prodigiosas pregações, como orador nato e inspirado. As suas pregações eram disputadas nas grandes cidades. Em Pádua, onde passou a residir, converteu muita gente. Numa ocasião em que a sua saúde estava de novo debilitada, pediu que, quando morresse, desejaria ficar para sempre em Pádua.

SANTO ANTÓNIO faleceu a 13 de Junho em 1231, apenas com 36 anos. Os seus restos mortais encontram-se depositados na Basílica de Pádua. O processo de canonização de ANTÓNIO foi dos mais rápidos da Igreja – durou menos de um ano. Foi feito pelo Papa Gregório IX em 30 de Maio de 1233, devido ao grande numero de Milagres que lhe eram atribuídos.

Maria Madalena caracterizada de Dona Urraca - Foto Cortesia

A História dos Martires está também ligada á Rainha de Portugal a esposa de D.Afonso II, Dona Urraca. Ela sabendo da Santidade deles, quando eles passaram por Coimbra antes de ir para Marrocos, os recebeu, deu-lhes roupas e alimentos e fez-lhes uma pergunta:

Quem iria morrer primeiro! Ela ou o Rei?

A resposta dos Frades foi: O primeiro que as nossas cinzas visse.

Ela não entendeu bem a resposta, entretanto, eles vão para Marrocos e quando voltam vem em restos.

Sabendo que vinham a Rainha manda o Rei á frente para os receber no Mosteiro de Santa Cruz, mas o Rei andava numa caçada e cai de um cavalo e quem chega primeiro é a Rainha e será ela a ver os restos mortais, como o Santo António lá estará a ver. Nessa noite a Rainha faleceu

Se é lenda a história da Rainha saber o dia da morte, não sabemos, mas o certo é que ela faleceu na noite em que chegaram os mártires á Igreja de Santa Cruz.

Hoje onde moro, herança de família, os meus antepassados, deram um terreno para a construção de uma capela a Santo António em 1690.

A minha quinta chamava-se Quinta da Fiuza e passou a ser chamada Quinta de Santo António e desde ai que todas as gerações tem uma grande devoção por esse Santo e nela está uma imagem que foi oferecida pela minha família e eu tenho aqui em minha casa uma réplica em miniatura da mesma altura. Em minhas pesquisas, em busca de uma Rainha achei um Santo".

Como você pode ver, um dado leva ao outro e de forma inexplicável ele está ligado a você. Para Maria Madalena, a emoção de estudar Dona Urraca se uniu a sua devoção e a devoção de sua família ao Santo. Em muitos casos que conhecemos, estes encontros nos fazem refletir o quanto nos espera quando entrarmos mais ainda pelos castelos, masmorras e túmulos para descobrir a história de nossos antepassados.

Você, em busca de algum parente, encontrou-se com uma magnifica história como esta reportada pela Maria Madalena? Se sim, por favor escreva um e-mail para stories@myheritage.com e nos deixe saber.

Comentários (6) Trackbacks (0)
  1. muito lindo .....gostei de saber ....
  2. Considero a inteligência e a cultura de Maria Madalena, de um nível muito elevado. Maria Madalena é um exemplo que todos deviam seguir. É muito importante questionarmos, mas ir em busca da verdade. Parabéns. Você Maria Madalena é uma grande mulher,
  3. Obrigado Daniel pelas lindas palavras.
  4. Minha prima muitas vezes por muitos passados, Magdalena é um exemplo de dedicação e cuidados para os que trabalham com Genealogia. Quando se dedica a uma pesquisa, tem como norteadora a qualidade, e isto se reflete nos seus inúmeros achados históricos acerca de famílias e personalidades históricas de Portugal. Meus parabéns prima que outros sigam seu exemplo.
  5. Obrigado Maria Madalena ,por tão bem ajudar a divulgar a nossa cultura .Grande bem haja .
  6. Maria Madalena, muito embora não tenha tido o previlégio de tomar conhecimento de suas realizações como genealógista ,
    o tenho lindo esta linda narrativa sobre a vida de Sto Antonio
    meus parabens e saudações

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