3    jun 20132 Comentários

Minha família está mais forte do que nunca.

iStock©Lewis King

Todos nós queremos fortalecer as nossas famílias. Vivemos criando métodos para que nossos parentes próximos se liguem em laços que não se rompam jamais.

Algumas situações que acontecem em nossa vida, em momentos muito especiais e marcantes, nos fazem refletir sobre este fator tão importante da família que é a manutenção desta união. Quando perdemos alguém muito querido, um esteio familiar, uma pessoa que em nossas vidas foi um ponto de referência, sentimos as vezes impotentes vendo os demais membros da família se afastarem do nosso convívio.

Foi o caso da perda de nossa mãe. Foi um choque para todos nós filhos, netos e bisnetos a perda rápida e sem aviso. Ficamos sem o chão no primeiro momento, órfãos e perdidos, mesmo que quando a perdemos, muitos de nós já eram avós.

Vivíamos, mesmo que afastados pelos nossos afazeres profissionais, morando cada qual em sua casa e sua cidade, cuidando de nossas vidas, mas sempre com visitas mensais, semanais ou até mesmo diárias como o caso de alguns irmãos, e era nestes momentos que nos sentíamos como se não existisse a distancia e nem o tempo, pois parecia que estavamos sempre juntos. Perdê-la, nos tirou o ponto de encontro e nos fez ver que iriamos sentir muita falta das rotinas de visitas.

Alguns de nós até comentaram que a família teria se perdido com a nossa perda. Ela era, a nosso ver, a razão pela qual nos juntávamos, para rir, divertir, brincar uns com os outros e até brigar sob sua paciência e seus conselhos, como toda família normal.

O que nos unia era a intensa história familiar que todos nós adoramos conhecer, de contar e de discutir. Passamos horas nos lembrando do passado e das coisas que sabíamos uns dos outros. Mal sabíamos que estávamos montando uma relação de união estável entre todos nós que iria superar a perda de nossa mãe.

Meses depois da despedida, ainda estávamos unidos, trocando fotos velhas, sabendo  uns dos outros, prestando socorro quando necessário e nos preocupando com as derrotas e conquistas de cada um de nós. Sobrinhos, netos e ainda mais gente, noras e genros, se juntou ao grupo e voltamos a nos divertir, conversar, dar opiniões e até mesmo a brigar, como toda família normal.

A nossa maneira, sem nenhuma pretensão,  sobrevivemos, assim como nossa mãe esperava que fizéssemos.

Recentemente, recebi um agradável e-mail de nossa leitora Maria Célia Mitidiero com um link para uma matéria encantadora sobre a pesquisa de dois psicólogos americanos, Dr. Marshal Duke e Dr. Robyn Fivush, que desenvolveram um método para fortalecer a família. Encaixou-se como uma luva ou a carapuça serviu em mim. Sem querer, nossa família, aplicou o método descrito na pesquisa dos psicólogos em nossas vidas.

O método consiste em você usar uma escala "Você Sabe?". Você sabe onde sua mãe se casou? Você sabe onde seu pai estudou? Você sabe onde seu avô morou? Você sabe se na sua família já aconteceu alguma doença séria ou algo realmente terrível? Você sabe a história do seu nascimento”?

E de "Você sabe" em "Você sabe", a história se encarrega de criar o laço afetivo que cada um de nós necessita para se manter unido a um núcleo familiar.

Com esta informação direcionada a nós ainda crianças e aos nossos filhos e também aos nossos netos, os nossos pais mantiveram o constante interesse na família, sem que nos desgarrarmos como muitos fazem.

Para o Comandante David G. Smith, da Academia Naval dos Estados Unidos, a união do grupo é constituída quando a história é comum a todos e quando as pessoas se encaixam na história como atores ou coadjuvantes.

Dr. Duke diz que deve-se sempre levar esta técnica para as crianças, fazendo perguntas usando sempre a métrica "Você sabe?", para que o desenvolvimento e a interação da criança na família seja interessante e desperte a capacidade de terem uma forte identidade intergeracional. Tomando consciência de que elas fazem parte de algo maior do que elas mesmas.

No desdobramento do projeto, percebeu-se que existiam três tipos de narrativas familiares para responder aos estímulos do "Você sabe?".

Segundo os psicólogos são:

Narrativa das Ascensão: “Filho, quando chegamos nesta área, não tínhamos nada. Nossa família trabalhou. Abrimos uma loja. Seu avô foi para o colegial. Seu pai foi para a faculdade. E agora você….” (*)

Narrativa do Descenso: “Querido, nós tínhamos de tudo. Mas aí perdemos tudo”(*)

E a narrativa recomendada pelos psicólogos por dar ao individuo uma capacidade de perceber os altos e baixos tão comuns na nossa vida, a Narrativa da Família Oscilante: “Querido, deixe-me te contar, nós tivemos altos e baixos na nossa família. Construímos um negócio familiar. Seu avô era um pilar na comunidade. Sua mãe fazia parte do conselho do hospital. Mas nós também tivemos reveses. Você teve um tio que certa vez foi preso. Tivemos uma casa que pegou fogo. Seu pai ficou desempregado. Mas o que quer que tenha acontecido, sempre nos mantivemos unidos como família”.(*)

...como toda família normal.

Em resumo, as pessoas que adquirem auto confiança para superar as dificuldades e se manterem unidas dentro de um objetivo familiar, são aquelas que aprenderam na história de suas famílias, com exemplos vividos, e as diferenças entre vencer, perder e superar.

Conte histórias familiares para os seus filhos, mescle as história em momentos alegres, difíceis, ricos e pobres, para que as pessoas se fortaleçam em vínculos que irão durar por muitas gerações.

Fontes:

Artigo “The Stories that Bind Us” (“As Histórias que Nos Unem”) por Bruce Feiler, New York Times, 15 de março de 2013.

(*) Artigo "Fortalecendo sua família com histórias" - Cultura da Paz


Comentários (2) Trackbacks (0)
  1. Muito bom! As mães são mesmo uma referência para toda a família e tenho certeza de que ela está muito satisfeita por vocês terem continuado unidos. O "você sabe" é uma excelente ideia, vou começar a usa-lo!!!
  2. Esta matéria caiu como uma luva para mim. A minha história e de meus irmãos é parecida, somos em 7 irmãos e cada um vive em cidades diferentes, mas era sagrado o dia do aniversário de nossa mãe, sempre se dava um jeito de todos se reunirem e festejarem a data. Quando a nossa mãe partiu, fizemos uma reunião no mesmo dia do sepultamento dela e resolvemos manter a tradição de nos reunirmos todos os anos no dia de seu aniversário, que seria uma maneira de manter a sua memória viva. Hoje esta reunião já tem os nossos filhos e netos, parentes e outros agregados, tanto que na ultima reunião contou com mais de 500 pessoas...

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