27    mai 201312 Comentários

Genealogia Alemã no Sul do Brasil – Rodrigo Trespach (1ª parte)

O apoio dos genealogistas do Brasil e de Portugal ao nosso site é muito importante.

São pessoas que se profissionalizaram em escrever História da Família. Rodrigo Trespach é um dos nossos colaboradores que nestes anos, temos acompanhado com muito carinho. Grande escritor de livros como Passageiros no Kranich e Borger Justin, Schmitt e outras famílias de origem germânica, seus livros colaboram muito com as pesquisas genealógicas dos descendentes de imigrantes vindos da Alemanha.

Rodrigo, agora esta lançando seu novo livro e aproveitamos para trazer até você esta entrevista sobre o trabalho do escritor, genealogista e torcedor do Grêmio e além de tudo, um expert em Cultura Germânica no Sul do Brasil e encaixa-se como uma luva para lembramos que 2013 é o Ano da Alemanha no Brasil.

Veja o que pensa Rodrigo Trespach:

MH:- Quem é Rodrigo Trespach?

Rodrigo Trespach: Um gaúcho de 35 anos, gremista, casado, com um filho de 14 anos e outro a caminho, que dedica boa parte de seu tempo livre a atividades culturais e a pesquisa histórica e genealógica. Um apaixonado por livros, história e genealogia.

MH- Desde quando você se interessou por genealogia?

Rodrigo Trespach: Minha família sempre morou no interior, meu avô constituiu uma família grande e todos os seus filhos sempre residiram muito próximos. Quando ele vendeu a propriedade em Maquiné, uma pequena comunidade rural no interior do Rio Grande do Sul, e se mudou com a família para Osório, onde eu nasci e ainda moro, ele adquiriu uma área afastada do centro urbano que se transformou num bairro onde os filhos e os netos também constituíram famílias. Então eu convivi muito tempo com ele e cercado de tios e primos, para mim foi muito natural ir anotando os nomes dos núcleos que iam se formando quando cada membro casava.

Agora, de forma mais profissional comecei no final da década de 1990, depois do meu próprio casamento, ai o interesse aumentou. Passei a ser mais crítico e observador, aprendendo com genealogistas mais experientes.

MH: - Hoje, qual é o tamanho e penetração de sua história familiar?

Rodrigo Trespach: Eu nunca levei muito em consideração o tamanho ou o número de pessoas que tenho em minha árvore. Costumo citar um amigo meu, já falecido, infelizmente, e que foi um dos fundadores do Instituto de Genealogia do RS; o Renato Franzen sempre dizia, “uma árvore genealógica apenas com nomes e datas mais parece uma lista telefônica”. Sempre levo isso em consideração, genealogia faz parte de um contexto bem mais amplo do que apenas saber o nome de seu antepassado e a data em que nasceu ou morreu. Meu interesse maior sempre foi refletir sobre como eles viviam, o que faziam, que motivos tinham para deixar determinado lugar. Ou seja, inseri-los dentro de um contexto histórico. Meu ancestral mais antigo conhecido, em linha paterna, casou no começo do século 18 com a esposa grávida de seis meses, e o pastor anotou isso no livro de casamentos. Mais do que a data do matrimônio o que me intrigava era como isso foi aceito pela sociedade da época? Que relações havia entre as famílias? Era comum, qual o motivo? Acho que é isso que se deve fazer, saber por que e como chegamos até aqui, caso contrário nossa árvore será apenas um quadro perdido na parede da sala.

MH: - A genealogia hoje é o seu trabalho. Considerando a atualidade do Brasil nesta área, é fácil ser genealogista?

Rodrigo Trespach: Acho que em alguns casos é bem mais fácil do que anos atrás. Por exemplo, hoje temos o MyHeritage que não tínhamos antes. Você consegue encontrar outras pessoas interessadas no mesmo assunto ou na mesma família com mais facilidade. Há muita coisa disponível na grande rede que em outros tempos, sem ela, custariam mais tempo e muito dinheiro.

Quando eu comecei, precisava escrever uma carta para a Alemanha solicitando informações para algum arquivo ou cidade. A carta levava um mês para ir e outro para voltar, e às vezes não se encontrava nada. Hoje não, tudo é bem mais rápido. Mas claro, a facilidade depende do quanto você se dedica a genealogia e o quanto de experiência (e paciência) você tem. Alguns arquivos ainda estão inacessíveis, há períodos, principalmente quando se recua para além do século 18, que não são fáceis de encontrar informações, algumas famílias têm histórias intricadas, difíceis de resolver quando se é iniciante. Neste caso, vale a contextualização da época, do país, da etnia, ou seja, você precisa abster-se um pouco de datas e nomes, da genealogia em si, para encontrar pistas que possam levar você pelo caminho certo. Isso é o fascinante da genealogia.

Mas o Brasil realmente ainda engatinha, têm um campo enorme de pesquisa, por todas as relações étnicas que temos, todos os povos que para cá vieram e ajudaram a construir o país, mas ainda estamos longe de alguns países europeus ou do próprio Estados Unidos, que tem uma história de interesse, nessa área, muito mais antiga. Agora o número de interessados no assunto, no Brasil hoje, é realmente considerável e só tem aumentado. Acho que o único lugar onde a genealogia ainda é mal vista é o meio acadêmico, em algumas universidades, onde ela é associada com o positivismo histórico.

MH: - Você tem diversas relações com o país de seus antepassados, a Alemanha, conte um pouco sobre estas relações e suas conquistas.

Rodrigo Trespach: A primeira carta para a Alemanha eu escrevi em 1996. A resposta foi um “não encontramos nada”, mas eu não desisti. Meu sobrenome aqui (Trespach), não é escrito assim lá, o que, por um bom tempo, me impediu de encontrar maiores informações, mesmo sobre o imigrante, que escrevia “Dressbach”. Mais uma vez a contextualização. Descobrir as diferenças linguísticas e a maneira como os registros aqui foram produzidos ajudaram a entender o que havia de errado.

Durante muito tempo eu mantive o interesse focado unicamente na minha família paterna. Isso era realmente muito legal, mas também muito limitado. Depois que publiquei meu primeiro livro, em 2007, o contato com a Alemanha se intensificou muito, porque eu queria encontrar as famílias da época. O interesse deixou de ser centrado em uma família e passou para uma colônia inteira. O estudo das relações familiares ampliou horizontes. Aqui no Litoral Norte gaúcho muitos livros de registros eclesiásticos em língua alemã foram destruídos em 1942, ano em que o Brasil declarou guerra a Alemanha e houveram perseguições aos descendentes de alemães. Muitas informações históricas e genealógicas foram perdidas. Não tínhamos nada sobre o passado na Alemanha desses primeiros colonos, salvo algumas exceções. Comecei juntando pequenos quebra-cabeças, cruzando dados com informações recebidas de arquivos e pesquisadores alemães, fazendo um quadro comparativo entre os núcleos familiares; que família casava com determinada família, quem eram os padrinhos, famílias que emigravam juntas, em grupos, no mesmo navio, qual a relação com a igreja. Tudo isso permitiu conhecer a genealogia do grupo, fazendo o elo de ligação, descobrindo seu rastro na Europa e auxiliando na compreensão do processo imigratório como um todo.

Tenho contato com muitos pesquisadores, arquivos e universidades. Desde 2010 eu tenho colaborado com um projeto do Instituto de História Regional da Universidade de Mainz, direcionado ao estudo dos emigrantes do Pfalz, região sudoeste da Alemanha. Além de artigos, temos elaborado listas e dados informativos sobre os emigrantes alemães que vieram para o Brasil. O projeto aborda ainda a situação de emigrantes alemães na América do Norte e no Leste Europeu.

Exposição em Büdingen. Foto Gudrun Kauck

Em 2011 e 2012, em parceria com associações de história local, realizamos duas exposições temáticas sobre o processo emigratório alemão para o Brasil. Uma das associações, a Büdinger Geschichtsverein, publicou o material da exposição, que continha o meu trabalho e o de mais dois pesquisadores alemães. Foi meu terceiro livro, o primeiro internacional. Além do contexto histórico, contêm dados informativos de cerca de 50 famílias da região de Büdingen que vieram para a região sul do nosso país entre 1824 e 1830.

MH: - Você está lançando um livro agora. Fale sobre ele.

Rodrigo Trespach: “O lavrador e o sapateiro”, que a EdiPUCRS está publicando, surgiu exatamente dessa ideia de usar a genealogia como uma ferramenta de pesquisa auxiliar a história.

Três pastores luteranos, que atuaram no RS, durante as décadas de 1950 e 1970, registraram algumas histórias interessantes, para dizer o mínimo, vindas da tradição oral de uma antiga colônia alemã. Duas, em especial, me chamaram a atenção.

Em uma delas, dois imigrantes alemães, um lavrador e um sapateiro, depois de sair da condição miserável que se encontravam na Europa e de terem enriquecido aqui, inventaram a história de uma ancestralidade na nobreza alemã. Minha pesquisa descobriu que eles não tinham nada de nobre no sangue, eram camponeses em várias gerações passadas, mas divulgaram a tal origem nobre para legitimar o status social que haviam adquirido no novo meio.

A outra história é sobre dois colonos que trocaram as esposas. Isso mesmo, fizeram uma permuta matrimonial. Na década de 1830! E mais, o “negócio” envolvia ainda uma porca, uma gamela e um saco de batatas. Você faria isso, se estivesse infeliz no casamento? Bom, eles fizeram. A genealogia, baseada no cruzamento de dados dos registros, ajudou a confirmar a história e compreender como aconteceu.

No livro eu faço algumas reflexões, como essas histórias vindas da tradição oral foram repassada por gerações? Como elas foram construídas e sob quais filtros passaram? A análise é baseada em minhas próprias pesquisas e o embasamento teórico de historiadores como Halbwachs, Hobsbawn, Pollak, Thomson e Chartier. Acho que é uma boa reflexão sobre como funciona a nossa memória, inclusive a genealógica, a tradição oral e as relações humanas.

MH: - Quantas publicações você já realizou?

Rodrigo Trespach: “O lavrador e o sapateiro” é meu quarto livro. Mas já escrevi muitos artigos para jornais e revistas, no Brasil e na Alemanha. Participei de várias antologias e publicações de simpósios. Colaboro frequentemente com o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, e já escrevi para a revista National Geographic, entre outras.

MH: - Sei que você se dispõe a divulgar genealogia alemã do sul do país, se existir interesse de universidades ou grupos em palestras, como podemos fazer o contato?

Rodrigo Trespach: Sim, tenho realizado palestras pelo Brasil e participado de feiras de livro e eventos culturais. O contato pode se feito pelo e-mail rodrigo.trespach@gmail.com. Interessados no assunto ou no meu trabalho podem acessar o site, que é atualizado diariamente, com todas as minhas atividades www.rodrigotrespach.com.

MH: - Recentemente você foi convidado por MyHeritage a ser um usuário Beta, qual foi a sua impressão do novo FTB 7.0? Atendeu as suas expectativas?

Rodrigo Trespach: Eu comentei em alguns blogs especializados e também para a própria equipe de MyHeritage antes do lançamento, o software é a mais fantástica ferramenta a serviço da história familiar, não tenho dúvida disso. Eu usei por alguns anos o software de outra empresa e confesso que relutei em trocar. Mas não há como comparar por tudo aquilo que o FTB 7.0 oferece ao usuário, não há nada no mercado melhor que o programa. Pode ser usado tanto pelo iniciante como pelo profissional. Superou minhas expectativas, e a equipe de MyHeritage está de parabéns.

MH: - Novos genealogistas estão aparecendo a cada dia. Qual o seu recado para eles?

Rodrigo Trespach: Eu recebo muitos e-mails, de várias partes do mundo. A maioria das pessoas acredita que temos uma bola de cristal e que podemos resolver e descobrir tudo sobre nossos ancestrais num passe de mágica. Em alguns casos, até podemos mesmo encontrar quase tudo sobre determinado ancestral ou família, mas podemos levar anos para montar uma árvore ou descobrir alguma informação nova. E, às vezes, é difícil explicar isso, porque normalmente o iniciante é ansioso e acredita que não queremos divulgar tudo o que temos. Por isso, as duas coisas mais importantes para um genealogista iniciante são, ter paciência e perseverança. Paciência para entender que muitas descobertas levam mesmo tempo para se concretizarem e perseverança para saber que elas se concretizam. A experiência e o “faro do genealogista” vêm com o tempo.

Rodrigo Trespach em exposição em São Paulo - Foto Tiago L. Trespach

MH: - Quer completar com mais alguma informação?

Rodrigo Trespach: Eu acredito que genealogia também é uma ciência de união, afinal todos nós, em menor ou maior grau, somos “parentes”. Pessoas que pesquisam e estudam, mesmo que por hobby, genealogia, são pessoas muito mais compreensivas e humanas, pois conseguem identificar no outro, mesmo em primos distantes, um pouco de si, de uma histórica comum, sem preconceitos.

Recentemente o governo brasileiro deu uma mostra de quão absurdo é, para nós genealogistas, principalmente os brasileiros, algumas políticas públicas. Por força de lei (Lei 12.288, de 20.07.2010), exigiu de pesquisadores que informassem em seus currículos na Plataforma Lattes, a nossa “raça”. Faço genealogia há muitos anos, minha árvore genealógica vai até o século 14 e ali estão colonos alemães e açorianos, negras escravas, índias catequizadas, fidalgos e degredados portugueses, invasores holandeses e “cristãos-novos” (judeus). Como vou definir “raça”? São católicos, luteranos, calvinistas, batistas, puritanos, animistas, pagãos, ateus e judeus. Sou descendente de escravos, mendigos, nobres, fidalgos, pobres, ricos, brancos, pardos e negros, e daí? É a história de todos nós! Querer simplificar e rotular tudo isso, depois das muitas lutas para desacreditarmos políticas e ideias racistas, é menosprezar e desconhecer uma das mais brilhantes ciências humana: a história!

Amanhã, estaremos publicando uma segunda parte deste entrevista com o trecho do livro "O lavrador e o sapateiro". Visite-nos e faça uma bela leitura.

Comentários (12) Trackbacks (0)
  1. Excelente entrevista! Parabéns! Espero ver outras assim no blog.
  2. Gostei da entrevista vou acompanha-la até o fim, sou descendente de alemães, e tenho muito a aprender do meu povo, por um lado esquisitos mas por outro não morrem na casca, lutam até o último folego.
  3. BOM DIA MENINO, QUE POSSO DIZER POUCO POR NÃO TER CONHECIDO MEUS ANTEPASSADOS TUDO QUE FIQUEI SABENDO JÁ AGORA AOS SETENTA E SEI ANOS É QUE MINHA MÃE FORTUNATA ´FÉCHER ZIMERMAM ERA FILHA DE IMIGRANTES DA ALEMANHA. EU TENHO O MAIOR DESEJO DE ANTES DE MORRER SABER DE MINHA GENEALOGIA. MINHA MÃE NUNCA COMENTOU MUITO TALVEZ POR MEDO DE REPRESSÃO. NÓS FOMOS INTERNADAS EM COLÉGIO DE FREIRAS SOU DE 1937 NASCIDA AQUI NO RIO DE JANEIRO ESTE ASSUNTO DE SEREM DESCENDENTES DE ALEMÃES AQUI NO RIO TALVES TENHA SIDO MOTIVO DE NOS INTERNAR E NUNCA TER COLOCADO SEU SOBRENOME NOS FILHOS SÓ LEVO SOBRENOME DE MEU PAI JOSE LORENÇO DA SILVA MILANEZ GOSTARIA DE SABER MAS DE MINHA MÃE QUE FOI FORTUNATA FÉCHER ZIMERMAM OBRIGADA POR ME ESCUTAR BOM DIA.
  4. Gostei da entrevista, divulga teu trabalho e mostra como é rico o estudo da genealogia. Quem não gostaria de saber histórias de seus ancestrais, muitos porquês se amontoam em nossas cabeças e deixa um vazio em nossos corações.
  5. Caro Rodrigo, que bom que continuas nos estudos genealógicos doa imigrantes germânicos para o sul do Brasil. Tenho para contigo uma dívida de gratidão por teres me auxiliado a desvendar fatos e nomes de meus ancestrais KLIPPEL que se fixaram na Colonia Alemã de Três Forquilhas - hoje Itati - e depois dali os ancestrais mais próximos que residiram nos "Campos de Cima da Serra" em Vacaria e Lagoa Vermelha, RS. Teus livros são tecnicamente muito bem estruturados e os fatos e dados muito confiáveis também!
    Continues, sucesso sempre e que Deus te abençoe todos os dias.
  6. Parabéns, gostei da entrevista e de ver como a genealogia vem despertando o interesse e crescendo, mesmo entre pessoas jovens, como o entrevistado.
  7. Bom dia a todos, quem quiser pesquisar genealogia, peço entrarem em contato com o Instituto Martius-Staden, um dos grandes centros de estudo para assuntos ligados à imigração dos povos de língua alemã, assim como literatura, história e cultura da Alemanha.
  8. Olá Michaela, o arquivo do Instituto Martius-Staden possui dados biográficos de aproximadamente 72.000 pessoas pertencentes a famílias teuto-brasileiras e informações sobre cerca de 7.000 organizações, instituições e localidades, reunidos em mais de 150.000 clippings, documentos, artigos e referências bibliográficas. O site do instituto é www.martiusstaden.org.br
  9. Bom dia a todos,adorei todos comentários e entrevistas,parabéns.
  10. Não acredito que foi por acaso que encontrei estas páginas. Há muito tempo venho buscando conhecer a história da minha família que veio da Alemanha em 1859, segundo o livro de registro que encontrei no arquivo histórico do RS. Até já localizei o túmulo do meu bisavô no meio de um eucalipal na cidade de Agudo. Gostaria de receber mais apoio para continuar esta pesquisa. No Shoping Total numa loja pequena o responsável pela mesma pesquisava para a gente os brasões de famílias vindas da Europa. Este senhor fechou a loja e não consegui mais localizá-lo.
    Se for possível gostaria muito de receber um site, ou e-mail para me comunicar e avançar na minha pesquisa. Maria Angélica Dias Pigatto ( este sobrenome é da família italiana do meu esposo. Da família alemã é Braun e Steinmetz )
  11. BOA NOITE!! TUDO BEM?? GOSTARIA DE FALAR SOBRE UM SELO-NÃO SELO EMITIDO EM 1896 BLITZ NEUJAHR!! MEU TELEFONE É 3222 51 84 !!GRATO,SERGIO STEINER
  12. eu gostaria de saber a origem da minha familia
    obrigado eu sou de joinville Santa catarina

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