6    fev 20130 Comentário

Genus Linguae

Alguns países, inclusive o Brasil, estão conhecendo uma nova onda migratória semelhante a ocorreu em 1900.

Esta nova onda migratória esta sendo causada pelas profundas mudanças sociais, políticas e econômicas em diversos países o que faz com que muitas pessoas, procurem novos horizontes para realizarem seus sonhos.

O número de imigrantes, pelo mundo todo, aumentou muito nos últimos 3 anos e no Brasil este aumento foi de 70%. Em 2009, o Governo Brasileiro emitiu 42.914 vistos de permanência  para estrangeiros em busca de trabalho, em 2012 o número subiu para 73.022. (não confundir com cidadania ou naturalização).

O país de origem, segundo o levantamento é Portugal (16%), Itália (13,2%). Japão (11.9%), Espanha (10,5%), França (8,2%) e os demais países com 40.2%.

Além dos vistos de permanência, existem os vistos temporários que podem durar até 1 ano e considerando-se estes vistos temos como origem de imigração os seguintes resultados principais: Estados Unidos(13,9%), Filipinas (8%), Reino Unido (6,6%), Índia (6,5%) e Alemanha (5,4%).

É um número considerável de estrangeiros que buscam o Brasil para trabalhar ou se fixar. Na maioria das ondas migratórias anteriores, a chance de uma pessoa se fixar definitivamente no país é de mais de 75%. (Fonte: Infográfico EXAME)

Estas pessoas trazem consigo a tecnologia, o conhecimento, cultura e principalmente a língua e o Brasil, pela sua formação multicultural, absorve as culturas na conhecida miscigenação tupiniquim. Transforma e agrega a novidade fazendo do Brasil um país com grandes possibilidades de ser chamado no futuro de Porto Seguro das Nações, onde todos se sentirão em casa. Mas, daqui a alguns anos, todos estarão falando o português e "For All" será convertido em "Foró".

Isso me fez lembrar de um estudo da UNESCO feito por Ranka Bijeljac-Babi sobre a influência dos países de acolhida sobre o Idioma Nato (Genus Linguae) dos imigrantes. Na imigração de 1900 o Brasil foi um dos países que "ignorou" a língua trazida pelos imigrantes e com isso perdeu a oportunidade de ter um país de multilinguagens.

Segundo o estudo da UNESCO, publicado na Revista Planeta em julho de 2010, a questão do idioma é fundamental para o crescimento de um país e até agora, os países que acolheram os imigrantes, inclusive o Brasil, apagou a lembrança do idioma natal dos novos moradores o que foi um grandioso erro estratégico.

Este fato tem sido debatido por muitos países pois, ter um país onde existem muitas línguas conhecidas, faladas e divulgadas amplia as oportunidades de desenvolvimento.

No estudo, cita-se escolas da Hungria que ensinam os imigrantes, principalmente as crianças, nas duas línguas, a natal e a adotada, não perdendo-se assim o vinculo cultural mais importante do individuo e nem a relação familiar com os pais que terão dificuldade para falar corretamente o idioma adotado, tornando assim a comunicação dentro da família um caso de dificuldade e afastamento.

No Brasil temos exemplos, em algumas regiões que acolheram os imigrantes, onde a língua natal foi mantida e, em alguns casos, existem hoje mais falantes da língua no Brasil do que no país de origem.

Esta faceta bilingual do individuo que será inserido no mercado de trabalho permite ao país uma maior integração internacional e mais negócios e oportunidades irão aparecer.

Nas comunidades onde a língua natal foi mantida por gerações, a possibilidade de riqueza é muito maior que em locais onde a língua natal do imigrante foi forçosamente "apagada" pela supremacia da língua adotada.

Com esta nova oportunidade que o Brasil está tendo, seria muito vantajoso incluir na educação dos imigrantes o uso das duas línguas. Vale salientar que existe lei para se oferecer no ensino médio dos brasileiros uma segunda língua, mas na maioria das escolas, as vagas para professores ainda se encontram abertas pela falta de capacitação. O espanhol é uma destas dificuldades da educação brasileira e pelo que sabemos, milhares de espanhóis imigraram para o Brasil em 1900. Mas o idioma foi apagado com o tempo. O que perdemos com isso?

No seu caso, historiador e descendente de imigrantes, a língua natal de seus antepassados ainda é falada dentro de sua família?

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