9    ago 20120 Comentário

Ainda é tempo

Uma das melhores ferramentas do pesquisador de genealogia sem dúvida nenhuma é a memória oral, aquela que é passada de geração em geração e que esconde pistas maravilhosas de nosso passado. Filtrar estas histórias e transformá-las em documentação é um desafio fantástico. Quem já passou por esta experiência sabe do que eu estou falando.

Mas infelizmente, esta história pode ser interrompida pelo esquecimento que muitas vezes atingem os cérebros cansados pelo tempo.

Me refiro a perda da memória causada por tantas doenças que podem atingir a todos nós e que irão afetar nossas lembranças.

Muito se perde quando se deixa ir "ao vento" estas lembranças.

Quando elas ainda estão frescas na mente de nossos parentes, não temos, muitas vezes, tempo ou lembrança de preservá-las. Eu vejo tanta gente reclamando que se demoliu um prédio histórico ou se deixou a traça comer fotos e documentos antigos e estas mesmas pessoas pouco fazem para guardar o mais precioso dos patrimônios. A lembrança de quem viveu em um prédio antigo que foi demolido ou leu ou redigiu um documento que a traça comeu. Este tipo de patrimônio, não é palpável, mas é muito melhor que papel ou tijolo, pois ele contem além da presença, da ação e da memória o mais importante de tudo. A emoção.

Quando nos lembramos de nossa infância, nos vem a cabeça, as sensações que vivenciamos, e, na maioria das vezes até mesmo o cheiro ou o calor do sol no rosto. É a memória que guardamos em nós.

Uma memória completa e cheia de detalhes que conta histórias maravilhosas.

Hoje, com tanta tecnologia, basta um aparelho celular para se ter quase a totalidade de uma equipe de gravação. Existem gravadores, filmadores, maquinas fotográficas em um só aparelho que deixa os pesquisadores de antigamente com inveja destes recursos atuais.

Mas, falta para muitos, a vontade, ou o tempo, ou até mesmo o conhecimento de como proceder diante de uma entrevista, com algum parente mais antigo, que poderá levar a se descobrir o passado.

Uma grande parte de nossas árvores genealógicas foram montadas sobre esta tecnologia chamada: Memória de Longo Prazo ou Memória Antiga.

Mas é necessário se saber que: O pesquisador deverá fazer a montagem da história baseado na memória e tirar dai as conclusões corretas. Muitas vezes pode-se errar nesta fase da coleta.

Recentemente, um triste fato foi publicado na mídia, que irá exemplificar muito bem a ideia desta postagem. A princípio, foi publicada uma versão que posteriormente foi corrigida pela imprensa. Mas, o desenrolar desta notícia me fez pensar na confusão que acontece dentro da mente de uma pessoa que tem uma grande história, mas que não sabe ligar estes fatos.

Leonora Amar - Foto Promocional

A internauta Ana Paula, comovida com o abandono, em um hospital, de uma senhora e com a "pouca memória", postou em uma rede social a foto desta senhora, que era vizinha de quarto de sua madrasta, com um apelo para quem soubesse algo sobre ela. Em poucos dias, depois milhares de compartilhamentos, apareceu uma pista que levou a provável identificação da idosa. A imprensa divulgou que seria, aquela senhora abandonada, uma famosa atriz brasileira dos anos de 1940 e 1950 e que fez muito sucesso no México, ex-Primeira Dama, e que havia se estabelecido no Rio de Janeiro. A notícia era : " Leonora Amar, estrela do cinema dos anos 40 e 50, estaria abandonada em hospital do Rio de Janeiro".  O Jornal fez a correção, acertadíssimo, após se constatar que, um parente da verdadeira atriz desfez o mal entendido dando informações do verdadeiro paradeiro da atriz e, a idosa da mobilização na rede social, não era a verdadeira atriz. Ambas as pessoas, tanto a atriz quanto a idosa tinham um nome muito parecido. O Hospital confirmou a correção dizendo que a paciente não tinha problemas de memória e sim, não podia voltar para casa, já que morava sozinha. Que confusão não é mesmo?

Mas veja uma coisa. A história se manteria verídica se... Não fosse o esclarecimento de um parente da verdadeira atriz.

Erro de pesquisa muito comum. Mas, onde podemos tirar algum proveito desta história para as nossas pesquisas? Eu respondo.

A memória de uma pessoa, quando devidamente coletada, deve ter outras fontes orais para confrontar. Assim, o bom pesquisador, não deve se fixar apenas na primeira versão e sim, buscar outras fontes. Documentais, históricas ou orais.

Ouvir a entrevista de uma parente pode sim, fechar uma tese histórica, mas se você tiver, duas ou mais pessoas que tenham vivido o fato, a história será cada vez mais verdadeira. Terá até cheiro.

Ao fazer uma pesquisa oral, agora usando o seu celular e seus incríveis recursos, procure ouvir também outras pessoas da mesma época vivenciada. Uma "segunda opinião".

Eu pessoalmente conheço um caso, onde a memória de uma senhora foi maravilhosamente fortalecida, e algumas vezes corrigida, pelo testemunho de sua babá. Ambas muito idosas, mas que vivenciaram a mesma história com visões diferentes.

Conta-me o pesquisador que ao entrevistar as duas, o grau de amizade entre elas, era tão grande que elas discutiam o fato, esquecendo-se muitas vezes da presença do entrevistador. Isso fez com que o registro ficasse completo, permitindo ao pesquisador deduzir corretamente a história.

Muitos de nós conhecemos histórias assim.

Agora, mãos a obra. Não deixe o prédio cair e nem deixe a traça comer os papéis. Faça entrevistas IMEDIATAMENTE com seus parentes. Senão, além do trabalho de pesquisa, você terá que encontrar tempo para fazer correções o longo de seu trabalho.

Fica a dica. Você gostaria de comentar e acrescentar sua experiência que possa ajudar, outros pesquisadores, neste assunto? Fique a vontade em nossos comentários.

Fonte da notícia: EXTRA.Globo.com

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