1    ago 20124 Comentários

A crises econômicas e a imigração

Para os estudiosos da Genealogia, existem duas etapas.

Na primeira etapa, podemos incluir aquela em que os perfis, a história pessoal e os eventos pessoais são o grande motivo dos nossos estudos. Nesta fase encontra-se o princípio da história familiar.

Nos abraçamos a livros, a fotos, a entrevistas e fatos orais que nos são transmitidos por antepassados ou documentos. Esta, sem dúvida, é uma fase longa e mais agradável. É nesta fase em que se definem os grandes genealogistas da família.

Algumas genealogias, pela sua complexidade, levam anos para serem definidas, documentadas e publicadas de forma correta. Algumas delas duram uma vida toda.

A fase da coleta termina quando o genealogista se depara com a necessidade de ir mais além, e percebe que encontra-se, entre descobertas da história familiar, estudando os fatos mundiais.

Entre perguntas do tipo: —"onde eu vou achar este documento?", existirão perguntas mais amplas como: —"Qual terá sido o pensamento de meu tataravô para tomar esta decisão?".

Conforme o número de perguntas da primeira fase vão sendo respondidas e reduzindo, vai-se ampliando as perguntas sem respostas da segunda fase.

São duas fases distintas, a Interna, que estuda "pessoas" e e Externa que estuda "povos".

Monumento Nacional ao Imigrante, em Caxias do Sul - Brasil

Sobre o estudo dos povos, encontra-se a imigração e seus motivos. O Brasil é rico em estudos deste tipo, pois a maioria das genealogias conhecidas, começa em passado recente, (500 anos), em algum porto ou alguma ficha de desembarque de um antepassado.

O Brasil é o país da miscigenação, e raramente existirá uma família brasileira que não tenha antepassados europeus, africanos ou sul-americanos. E os brasileiros entendem este seu passado e respeitam os países que lhes enviou as raízes.

Grande parte destes antepassados teve um motivo para se aventurar em terras brasileiras.

As várias crises econômicas que afetaram hora aqui, ou hora em outro lugar pelo mundo, foi, sem dúvida, uma destas razões.

As grandes imigrações do final do século 19 e começo do século 20, foram causadas pelas crises financeiras que abalaram a Europa e países como Itália, Espanha, Alemanha que sofriam muito com a crise, e enviaram, para o Brasil. parte dos milhões de imigrantes que arriscaram um novo recomeço nas "Américas".

Estes imigrantes, se adaptaram, criaram famílias e descendentes e fazem parte da riqueza cultural do Brasil.

Mas a imigração nunca termina, muda apenas o fluxo, e desta forma, nos anos 80 e 90 do século passado, foram os brasileiros que fizeram o caminho inverso.

Agora, estamos assistindo outro fluxo de imigração. Novamente o Brasil é o destino.

O último Censo, realizado em 2010, apontou o crescimento deste fluxo imigratório.

Em 2008, segundo a Serviço da Pastoral do Imigrante, ligada a CNBB, (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a imigração é muitas vezes procedida de forma ilegal, por vizinhos da Argentina, Bolívia, Paraguai, Colômbia, Chile e Guianas e, um grande fluxo de imigrantes vindos da Asia. Lembrando aqui que, em 1998 o Governo Brasileiro anistiou todos os imigrantes ilegais e mais de 800 mil estrangeiros se beneficiaram da anistia.

No primeiro semestre de 2011, o Brasil teve um crescimento de 52% de novos estrangeiros comparados ao mesmo período de 2010 e este número deve ter aumentado em muito.

Hoje, ainda não existe uma estimativa oficial do número de pessoas que buscam o Brasil para escaparem da crise que abalou o mundo, principalmente a Europa nos últimos tempos, desde de 2009, são dados muito recentes. O Brasil, é um país de oportunidades, de novos negócios e com muito talento para receber estrangeiros.

O que tem diferenciado a atual migração das anteriores é que desta vez, a grande maioria dos imigrantes tem um alto grau de escolaridade e  centrado em especializações que o Brasil precisa.

Mas, fica sempre algo para trás, o que podemos ver em algumas experiencias, é a quantidade e diversidade de línguas que agora são ouvidas em locais de grande concentração, e isso significa que em algum ponto do planeta, alguém terá pessoas da família vivendo no Brasil.

Para os que ficaram, muitas vezes, além da saudade, fica a sensação de abandono do nacionalismo, como a dizer: "terei que manter o meu país de origem sozinho", o que não é verdade. Mas como em todas as imigrações que já ocorreram no mundo, os laços familiares jamais se perdem, ainda mais em um planeta com tantos recursos tecnológicos e de comunicação. Se antes uma viagem para o Brasil levava-se dias, da Europa, hoje é feita em horas.

Daqui a alguns anos, os imigrantes irão constituir família, criar riquezas e misturar-se, formando uma grande família mundial. Milhares de árvores genealógicas irão se juntar, e todos nós ganharemos mais parentes. A família vai crescer e o mundo vai ficar menor, pois a família sempre une e nunca afasta.

Foto: definicion.de/migracion/

O importante, no mundo em que vivemos, é atender a mais básica das necessidades humanas, a de ser feliz e útil ao mundo, o que muitos dos imigrantes estão buscando. Devemos nos preparar, como genealogistas, afinal, quando chegar na fase externa da nossa pesquisa, teremos muito do que nos lembrar dos fatos atuais do mundo.

Na sua família existe alguém que tenha imigrado recentemente? Para onde?

Fontes: G1 , Wikipédia, Estadão, Globo Economia,

Comentários (4) Trackbacks (0)
  1. Interessante análise.
    No entanto, permita-me alguns breves e singelos comentários.
    Primeiramente, o enfoque do texto acima mereceria uma abordagem, mesmo que superficial, sobre o processo de colonização do Brasil (1500-1808), base de todo o genealogista iniciante.
    Segundamente, nunca é demais ressaltar a forte corrente existente entre os estudiosos, sobre a colonização do Brasil, período que abrange o seu "´pré-Descobrimento", com Ramalho e sua aliança de sangue com o maioral Piqueramobi (antes de 1500) até o refúgio da família real portuguesa, então, nesta colônia brasileira.
    Terceiramente, com o riquíssimo período histórico,aonde temos o movimento bandeirantista e o monçoeiro, onde o Tratado de Tordesilhas foi o grande indutor destes dois grandes movimentos que combateram, nestas terras brasilis, o "governo castelhanho" (coroa espanhola) o qual Portugal estava governado e submetid. Submissão e governo , nunca aceito pelos bandeirantes paulistas.
    Por derradeiro, sobre o processo de imigração, 300 anos após, já desaguou um oceano.
    Grande abraço.
  2. Que maravilha, Obrigado Abilon Naves, é muito agradável poder contar sempre com seus adendos, isso sem dúvida enriquece nosso trabalho e enriquece a História de nossos países. Sobre a " permita-me alguns breves e singelos comentários", iremos permitir sempre. Nosso blog esta a sua disposição.
  3. fico encantada com tanta historia,mas infelizmente nao consigo desvendar a minha.gostaria tanto de saber dos meus antepassados mas nao tenho nenhum documento que prove minha origem italiana,uma pena.estudiosos como voces é que fazem a diferença.um abraço
  4. Não sei se este é o espaço ideal, porém, acho que vocês podem me ajudar. Meu pai (Ottavio Cardarelli) desembarcou no Rio de Janeiro em 05.07.1950 vindo da Italia. Consultei vários sites e não consegui a comprovação do seu desembarque, ou seja, as anotações nos registros portuários e Departamento Nacional de Imigração. Gostaria de saber onde consultar para encontrar os registros acima mencionados.

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