19    mar 20121 Comentário

Feliz Dia dos Pais

Dia de São José carpinteiro.

Um dia muito especial em Portugal, O Dia dos Pais.

Milhares de filhos homenageiam seus pais no dia hoje.

Sobre os pais temos pouco a falar, pais são heróis, pais são modelos, pais são ídolos.

Pais passam pela vida de forma tão suave, tão reservada que podemos dele guardar todas as boas lembranças e todos os bons momentos, mas sempre teremos de nossos pais a imagem do respeito, da segurança e da resignação.

A relação tão próxima que une São José o carpinteiro aos nossos pais é a mesma que nos moldou de um tronco rustico em pessoas.

Nossa equipe deseja a todos os pais de Portugal um dia cheio de carinho e de abraços. Pais adoram ser paparicados, mesmo que não demonstrem.

Todos os pais, tem história, todos os filhos tem histórias. Recebemos uma linda história que refletem bem alguns de nossos sentimentos mais puros em relação aos nossos pais. A história nos foi enviada por Absinto, é assim que ela deseja se identificar. Leia :

"Sou a caçula de cinco irmãos, a “rapa do tacho”.


Minha relação com meu pai nunca foi muito próxima... Durante a minha infância, meu pai, trabalhava demais e o contato era muito pequeno. Ele era responsável por uma grande indústria e tinha grande responsabilidade. O trabalho dele exigia constantes viagens e muito tempo longe da família. O ritmo de trabalho, assim como eu descrevi, só foi diminuído após um infarto.


Mudei de cidade, por motivo de estudo  fui separada da família, eu tinha 13 anos e então passamos a nos encontrar apenas nas férias escolares, nesta época, a adolescência e a distancia pareciam bem maiores.


Meu pai sempre foi muito tímido, não me lembro dele me dando um beijo... Quando nos encontrávamos, depois de meses sem nos ver me dava tapinhas nas costas... (acredito que era uma mania de sua forma de tratar a todas as pessoas).


Tínhamos o mesmo gênio e éramos até um pouco parecidos, eu a versão feminina dele, mas esta semelhança sempre nos levava a um grande numero de brigas, discussões e posições divergentes. Mas também tínhamos o mesmo gosto musical, as mesmas escolhas e o mesmo jeito de nos encantar com a beleza dos sons.


Casei bem cedo, e mesmo depois de casada ainda tive com ele algumas divergências, passei a ter outra postura, tomei mais juízo, mas, mesmo assim ainda continuávamos a ter o mesmo gênio e algumas vezes ainda nossas divergências eram bem claras. Eu mudei, passei a responder menos, a ficar mais calada. Muito do que ele dizia algumas vezes me magoavam muito. Eu ainda era jovem.


Minha filha nasceu e eu vi seu coração amaciar, ou melhor, se desmanchar.


Ele aposentou-se e veio morar na mesma cidade que eu. Minha filha passou a ser o mimo de meu pai. Ela era a neta que mais tinha contato, que mais brincava com avô e que mais afetava o modo durão que eu sempre conheci. Minha filha era a “loucura” de meu pai, e com ela, os abraços, os beijos e os carinhos apareceram em meu pai.

Nesta época, eu também me aproximei e aproveitei para muitos beijos, muitos abraços e mais contatos.


Mesmo assim, comigo, ainda ele era tímido.


Meu casamento passou por uma fase bem triste e conturbada. Foi então que eu entendi o modo como meu pai me enxergava. Era uma maneira diferente da minha, era a resposta que ele sempre quis de mim, contestação, força e equilíbrio.


Eu entendi o quanto ele se esforçou para me preparar para a vida.
Ele me via contestadora sim, mas me via batalhadora, forte.


Eu consegui depois disso chegar perto dele para dar beijos... Ele recebia, mas não dava beijos.


Depois que ele adoeceu começou outra época de minha vida.

Ver meu pai frágil, doente e sofrendo doía muito. Aquele homem tão forte a vida toda, abatido e de repente eu via a vida indo embora dele aos poucos, com muito sofrimento...
Quando ele morreu ( e morreu na hora que eu estava com ele), senti dor sim, não a dor que eu tinha medo de sentir...era diferente, doía, mas tinha também uma sensação de alivio pelo sofrimento dele ter acabado, mas com certeza ficou uma saudade imensa, e hoje, muitas musicas me fazem lembrá-lo demais e, quando as escuto ainda choro....choro pela falta dele, choro pelo que poderia ter sido a relação de pai e filha.

Choro de Saudade.

Absinto (2012)

Comentários (1) Trackbacks (1)
  1. feliz dia dos pais, vc e um paizao mesmo, tem o maior dengo c di e wi, sempre os defendendo... parabens.

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