8    ago 20119 Comentários

Preservar o passado e não destruir o futuro.

É muito comum nos depararmos com histórias contadas pelos usuários de acervos e arquivos destruídos pelo tempo ou pela própria ação dos homens. Nosso blog no idioma inglês iniciou uma campanha mundial a respeito deste assunto. Em muitos casos grande parte do memória familiar é perdida em situações minímas como mudanças ou limpeza do sótão, ou pior ainda, quando se trata de destruição pelo próprio Estado pelo abandono ou pela falta de verbas. São perdas irreparáveis que não lamentamos agora, mas muitos irão lamentar no futuro. Estamos escrevendo a história do nosso passado e somos responsáveis também pela nossa história.

Enquanto somos historiadores somos também História.

O motivo pelo qual estou escrevendo este blog hoje é para reportar uma experiência que estou participando a mais de 3 meses e que me trouxe muitas lembranças e imagens, muito conhecimento de meu passado e muita diversão.

Você vai querer experimentar também.

A tempos a trás, um grupo de amigos decidiu se reunir para contar histórias e casos de seu passado, eu fui convidado para este encontro, fizemos um grupo fechado no Facebook aberto apenas por convites feitos de uns para os outros. A primeira foto foi postada com o intuito de fazer com que o grupo ajudasse na localização e identificação de velhos companheiros de infância, depois vieram outras fotos, e outros amigos foram entrando, e hoje já somam mais de 550 memórias pessoais que se tornou em uma grande memória coletiva.

Fernanda Padula, uma jovem entusiasta do grupo nos reporta : "Esse Grupo é muito legal , porque nele podemos resgatar um pouco da história da nossa cidade e de nossos antepassados, sempre é bom voltar um pouquinho no passado , tenho muita curiosidade de saber como as pessoas viviam em gerações passadas seus costumes, etc."

O Grupo é formado por pessoas da mesma cidade, nascidos ou residentes e também por pessoas que de alguma forma viveram na cidade, uma comunidade virtual que ultrapassou os limites geográficos do país e foi encontrar memórias em diversas partes do mundo onde exista uma pessoa com a memória, fotos antigas e vontade de compartilhar suas lembranças.

"Uma maravilhosa viagem ao passado." diz Gilson Junior um participantes desta experiência que movimentou muitas caixas de documentos, muitos álbuns de fotografia e muitos baús que diariamente expõe cerca de 5 novas fotos antigas para analise e calorosas discussões.

O Grupo se tornou um momento de descontração e surgiu quando existia a dúvida sobre alguns personagens de uma foto que, quando postada trouxe aos poucos que deram inicio ao projeto a ideia de que poderiam convidar outros amigos para participarem de suas memórias, assim, de foto em foto, de amigo em amigo o grupo expandiu e tomou uma grande proporção. Historiadores conhecidos se aliaram aos participantes do Grupo oferecendo sua ajuda na identificação de pessoas, história e depois prédios antigos que apareciam nas fotos.

Antonio Rolim, um dos fundadores do grupo nos diz que encontrou amigos a muito afastados e reforça uma das regras do grupo, "... aqui vim a descobrir interesses comuns a todos ... a história da cidade por uma ótica de pessoas comuns como nós, sem influência política, social, ou religiosa..."

Algumas destas fotos eram bastante enigmáticas, pois mostravam pessoas e prédios hoje desconhecidos da maioria das pessoas que, pelo desenvolvimento da cidade, foram demolidos ou reformados perdendo a sua característica original o que levou ao estudo minucioso das muitas fotos postadas de épocas diferentes e que permitiram contar ou recontar histórias.

"...o que não pode acontecer é perder a oportunidade de preservar nossa história e deixar que se percam documentos tão importantes." diz Geraldo Magela, um dos integrantes do grupo.

Esta participação de muitas pessoas trouxe o retorno a um hábito muito comum a tempos atrás, praticado por nossos pais e avós e que a modernidade fez perder, que é o contato com o vizinhos e amigos para discutir assuntos da comunidade e contar histórias.

Elizabeth Reimer Sampaio expressa assim: "Adoro lembrar do centro antigo da cidade, dos prédios, das escolas... Dos conhecidos daquela época... AmoOOOO achar alguém que queira conversar do passado, lembrar das pessoas que de alguma forma passaram por nossas vidas e hoje estão distantes...."

Agora o melhor de toda esta história. Uma pesquisa feita com os participantes do grupo revelou que 92% dos integrantes eram a favor da formação de um GRUPO NÃO VIRTUAL que os representasse e que tivesse como objetivo a preservação do patrimônio da cidade. Sem política, sem religião e sem diferenças sociais.

Primeiras impressões juntamente com MyHeritage

Uma atitude que veio da vontade da maioria e que tomou corpo quando nossa equipe MyHeritage articulou juntamente com os moradores da cidade uma primeira reunião deste grupo para dar andamento a formação do Instituto Histórico, Genealógico e Geográfico de Cruzeiro. Uma atitude que MyHeritage apóia pois é um dos nossos lemas permitir que a história seja universal e distribuída para todos.

Este Instituto esta no caminho certo e tem integrantes das diversas camadas sociais, de diversas representações profissionais, apaixonados por história e genealogia, disposição para lutar pelos seus princípios e um grande trabalho pela frente.

Você gostou da ideia? Amanhã, estaremos postando a fórmula de sucesso deste grupo e de como você também pode fazer em sua cidade ou comunidade algo parecido e montar uma instituição pública e privada que defenda o patrimônio coletivo. E nos convidar para participar também.

Vamos divulgar todas as boas ideias que salvem os milhares de acervos espalhados e que possam estar correndo riscos.

Comentários (9) Trackbacks (1)
  1. Entrei hoje neste blog.....amei !!!
    Os artigos trazem fatos de meu interesse.
    Estou presa a leitura destes artigos a algum tempo, preciso dar uma parada e retomar amanhã....se não fizer isto agora, passo a madrugada toda me embrenhando nesta leitura que me fascina, mês a mês....os assuntos me absorvem..... Até mais.....rssss
  2. Amei também !!!!! Adoro tudo isso
  3. Parabens, Valter; são coisas simples que fazem a verdadeira história de todos nós.
  4. Meus parabens Walter , excelente , e um grande prazer poder compartilhar esta experiencia !!!
  5. Excelente,amei.Tenho certeza que a cada dia que passa este grupo nos contagia,já somos uma família,onde a união é muito importante.Mano te amo.
  6. Com certeza darei o máximo de mim para salvar e resgatar o passado para poder nossos decentes verem as origens de onde veem .........faltava isso no Brasil............no resto do mundo eles dão mais valor a sua origem......pois a conhecem............vamos conhecer as nossas, abraço e contem comigo.

    Gilson Junior
  7. Infelizmente o Brasil não dispõe de uma prática sistematizada de preservação de seu patrimônio, o que faz com que a própria sociedade não tenha consciência da sua importância. Um país que não valoriza o seu patrimônio histórico tende a esvair, com sua deterioração, a própria memória de sua população.
  8. Adorei a idéia e tudo que li sobre essa experiência. Interessante é que já faz dois anos que iniciei minha árvore genealógica; tenho feito visitas a familiares, ando com máquina fotográfica a tiracolo e tento sensibilizar meus parentes a entrarem na árvore e compartilhar. Os resultados têm sido pequenos. Às vezes penso que estou ou sou esquisita por gostar tanto da minha história, dos resgates que faço etc... É normal que outros parentes não gostem?
  9. Excelente idéia! Parabéns!

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