2    nov 20101 Comentário

Finados – Turismo Cemiterial

No Brasil, hoje 02 de novembro é um dia para lembrar de nossos mortos.

É o dia em que muitos vão aos cemitérios "matarem" a saudade.

Para alguns é um dia triste, para outros é motivo de felicidade, pois a visão que cada um tem da morte é bem pessoal.

Vou republicar um texto feito por mim em 12 de março de 2009, achei muito propício  para o dia de hoje.

"Existe uma música de Oswaldo Montenegro, músico brasileiro, que diz: "metade de mim é a partida e a outra metade é a saudade". Este poema corre pela internet com diversas versões, mas eu vou usá-lo para falar da saudade, porque metade de nossa árvore é vida e a outra metade é morte. E quando bate a saudade é lá em uma lápide lavada pelo tempo que derramamos as nossas lágrimas. Mas cemitérios não são lugares onde só se vai de preto, solenemente vestido ou pra chorar, é talvez o último dos recursos de qualquer genealogista. É ali que encontramos as mais difíceis pistas de nossas pesquisas.

Mas o cemitério de que eu quero falar aqui, não é assim, é o cemitério arte, o cemitério onde os artistas deixam suas mais impressionantes obras, onde as famílias são representadas por esculturas maravilhosas, dignas de qualquer museu, aliás, alguns são museus como o Túmulo de Napoleão ou o Túmulo de Luiz de Camões em Portugal.

Hoje, o conceito de cemitério mudou muito, alguns são como campos de golfe e se você colocar algumas ovelhas, fica parecendo pasto, onde nem se sabe se estamos ou não sobre alguém ou, também, na versão "aranha céu" quanto mais alto, mais caro. Você está achando estranho, tétrico o meu discurso?

Se você não teve ainda a oportunidade de visitar Paris, saiba que um dos passeios mais requisitados pelos turistas é o cemitério Pére-Lanchaise, onde estão sepultados a maioria das celebridades do mundo e onde é possivel ver as mais incriveis esculturas. Ali pode-se ver túmulos como o de Chopin, Amadeu Modigliane, os amantes Heloïse e Abelardo (incrível história de amor),  o túmulo de Edith Piaf (adoro ela), Alan Kardec, e o curioso Mausoléu de Oscar Wilde, onde é possível ver também as marcas de baton dos milhares de beijos femininos, um costume local, ou o túmulo de Victor Noir, onde as mulheres que desejam engravidar passam a mão na escultura, e são tantas mãos que até brilha o bronze. Coloquei o link lá embaixo para você fazer o seu Tur.

Alguns cemitérios são como o Pére-Lanchaise, só tem gente importante, mas qualquer cemitério, para alguém, é o mais importante, porque guarda a memória da família. E muitas vezes é neste cemitério que é mais dificil se conseguir alguma informação.
Quem já teve que fazer uma pesquisa em cemitério sabe o quanto é dificil, em alguns, a administração nem sempre guarda os livros corretamente, e o pessoal não é especializado, em outros, a consulta é feita pelo próprio interessado , e o pior é que em muitos, as lápides são lamentavelmente roubadas, depredadas, vandalizadas, etc.
Mas pode-se mudar, olhe o exemplo da Prefeitura de Jahu - SP - Brasil, que todas as prefeituras deveriam copiar e onde, curiosamente, existem sobrenomes que eu estou procurando e que inovou a minha pesquisa genealógica. (ah, se todos fossem assim). Era um sábado, entrei às 2 horas da madrugada no cemitério de Jahu, (que medo), fui até os registros e em menos de 1 minuto já tinha o nome de 6 parentes com datas de falecimento, bastou eu dar uns cliques e digitar o sobrenome, porque o cemitério está inteirinho online, com pesquisa de dados desde o século XIX, relatórios, histórias e, assim como o Pére-Lanchaise em que você entra a qualquer hora do dia para fazer um tur, o de Jahu não ficou para trás. Lá você entra a qualquer hora para fazer pesquisas. Estou torcendo por duas coisas: em primeiro lugar que muitas prefeituras copiem Jahu, e, em segundo, que eu possa fazer um tur em Paris.

Não quero ser ingrato, e se alguém aqui conhece alguma outra prefeitura que dê valor ao seu patrimonio histórico e humano como Jahu e Paris, deixe anotado o nome ou o link, que vamos conhecer e divulgar.

Só quero encerrar com uma inscrição que está esculpida no portão de entrada do cemitério antigo da cidade de Los Arcos, na Espanha: "Yo que fue lo que tu éres; Tu serás lo que yo soy" que traduzido seria " Eu fui o que és; Tu serás o que sou"."

Texto original publicado no Blog MeusParentes em 12/03/2009

links de pesquisa

Cemitério online de Jahu - São Paulo - Brasil

Blog de Martha Correa sobre Arte Cemiterial bastante interessante e muito bonito

Cemitério Pére-Lachaise- Paris - França (Tur on line) , imperdível com panorâmicas 360º dos corredores e túmulos

Arte Oitocentistas do Porto - Tese de Doutoramento em História da Arte de José Francisco Ferreira Queiroz, os arquivos estão em PDF, mas faz um estudo interessante sobre a arte cemiterial em muitos aspectos. (Se você desejar conhecer mais sobre o assunto)

Letra da música METADE de Oswaldo Montenegro

Comentários (1) Trackbacks (0)
  1. Dia 2 de Novembro, meu aniversario.
    Newton

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